No mundo atual, são vários os frutos que podemos colher da globalização e da constante evolução das novas tecnologias. Parte destes frutos traduzem-se em desafios acessíveis apenas para alguns. E quem são eles? Os mais ágeis e os que mostram mais vontade de experienciar esses desafios. Mas deixemos a analogia e passemos a falar a linguagem do mercado.

Se outrora ter uma formação superior era suficiente, o mercado de trabalho dos dias de hoje mostra como essa é uma realidade ultrapassada. E os dados comprovam-no! De acordo com um estudo elaborado pelo Linkedin, que indica quais as competências que as empresas mais procuram num candidato, às habituais hard skills juntam-se agora uma lista infindável de soft skills. Destaque para a criatividade, a adaptação e a gestão de tempo, entre outras, que tornam esta seleção mais criteriosa do que alguma vez foi. Atualmente, um saber por si só não chega e, por isso, ao “saber fazer” devemos juntar o “saber ser” e até o “saber saber”. É esta conjugação de conhecimento que reflete o perfil do candidato exigido, o que muitos chamam de profissional unicórnio.

O profissional unicórnio é aquele que procura os desafios da atualidade. Aliás, é o que os consegue ultrapassar com êxito, pois reúne em si os requisitos desta nova lista infindável de competências. Mas de que forma podemos garantir que os jovens de hoje são os profissionais unicórnio de amanhã?

A mudança do paradigma empresarial deve ser acompanhada de uma adaptação da educação, de modo a criar jovens capazes de dar resposta aos desafios do futuro. Os jovens devem ser levados a sair da sua zona de conforto, expostos a novos desafios que desconhecem, pois é esta aventura pelo desconhecido que lhes proporciona a “bagagem” necessária para se diferenciarem no mercado de trabalho.

Existe uma certa ordem natural de acontecimentos que nos é ensinada à medida que vamos crescendo. Mas à medida que crescemos, o mundo cresce connosco e é preciso que se rompa com o conceito pré-estabelecido de “caminho a seguir” e partir numa aventura. Abrir horizontes, como insiste atualmente tanto o Papa Francisco com os jovens é, possivelmente, o mais importante para abrir portas no futuro e para nos descobrirmos a nós próprios – o que realmente procuramos e qual a nossa capacidade de resolver imprevistos. Daí a importância de existir estas experiências não só nas escolas, durante o percurso de formação dos jovens, mas também em atividades e programas que acompanhem o seu desenvolvimento.

Um exemplo desta prova de superação é o INOV Contacto, um programa que permite aos jovens abraçar um desafio no estrangeiro e partir numa aventura profissional para um destino desconhecido. Quando um candidato se inscreve, não pode escolher o país onde irá viver durante seis meses – é à equipa do programa que compete fazer o match entre o candidato e empresa – e apenas o descobre a poucos dias de partir.

Esta é apenas uma das formas que os jovens têm de contactar com diferentes contextos e culturas e de sair de uma realidade que já conhecem. Para muitos, este tipo de viagem pelo desconhecido, seja através destes programas ou com outras experiências, é também uma forma de fazer uma autodescoberta, descobrir o que se gosta e o que se quer fazer do seu futuro — partir com sonhos, regressar com planos e decisões. Por outro lado, no caso específico deste programa, o fator surpresa associado é ainda um filtro natural sobre a existência de competências decisivas para o sucesso desta experiência, como persistência e determinação. Isto porque, partir para um desconhecido que até pode não parecer apelativo ao jovem quando é confrontado com o mesmo, exige uma mente aberta e a resiliência necessárias para não desistir à primeira dificuldade.

E que frutos colhem os jovens deste tipo de experiências? A independência, a autonomia e a capacidade de resolução de problemas são talvez as competências que mais os marcam e aquelas mais valorizadas no mercado. Neste contexto, dados do programa mostram que 95% dos participantes afirmam que foi exatamente a aposta nesta aventura no desconhecido foi o que mudou as suas vidas para melhor.

É urgente incutir este sentimento de curiosidade e determinação nos jovens dos dias de hoje. Temos de os deixar voar mais alto, fazer a ponte para que consigam ter um maior controlo nas suas vidas e aumentar a capacidade de empreender, mas há que lhes dar as ferramentas e capacitá-los nesse sentido.

Responsável pelo programa de estágios internacionais INOV Contacto