Na sequência da terceira destas reflexões que tenho feito sobre a pandemia Covid-19, os seus impactos em Portugal e a saída da crise, deixo, aqui, uma proposta a apresentar ao senhor Presidente da República e aos partidos democráticos (em nome da salvação do País e do seu desenvolvimento económico e social):

 1Promover a criação de um Governo com PS, PSD, CDS, liberais e lndependentes, que, assegurando a maioria de dois terços (2/3) da representação na Assembleia da República, permita as revisões da Constituição e da Lei Eleitoral e as Reforma da Função Pública, Reforma Administrativa e Regional e Reforma da Segurança Social, que são necessárias para avançar para o desenvolvimento pleno do país, sem peias ou obstáculos/rasteiras políticas. Uma maioria ampla que permita também, a cada momento, tomar todas as medidas necessárias, forçosamente dolorosas, para de novo retomarmos os pagamentos da dívida externa de forma planeada e sem gerar desconfianças no exterior. Uma maioria, ainda, que permita acompanhar o comboio do Plano de Recuperação Europeia – possibilitando, se necessário, por exemplo, balizar os gold numbers do défice; ou a criação de um gabinete de crise, com um corpo constituinte pré-formatado e tecnicamente operacional, independente do poder político a cada momento existente e que seria ativado em casos de crises como a presente.

 2Um Governo com um programa planeado para durar sete a oito anos, com alvos definidos, para decisivamente fazer face à crise económico-social, para reformar e agilizar a Justiça, desenvolver a Educação, Cultura e Cidadania, Reformular as Forças Armadas e as Forças de Segurança, reorganizar o sistema prisional; um Governo para avançar para um aeroporto (em Alcochete ou Beja, já que toda a gente já concluiu da impraticabilidade do Montijo) a crescer por módulos, dinamizar Sines e o eixo comercial América/Europa/África, apostar nos transportes públicos, mas também em carros de dois lugares (eventualmente em tandem, já existentes, que permitiriam reduzir largura de faixas de rodagem, fluir em maior número, estacionar em espaços menores) para a propriedade e usufruto do cidadão trabalhador citadino — sem carga fiscal de preferência; um Governo para estimular o repovoamento/crescimento do Interior com incentivos e benefícios fiscais, bem como a natalidade populacional, facilitar o teletrabalho, e desenvolver a semana das 9 horas vezes 4 dias de trabalho (mais descanso, menos perdas de horas nas deslocações, menores consumos de combustíveis, com repercussão positiva no ambiente), diminuição progressiva das cargas fiscais e abaixamento progressivo do IRC para sermos competitivos à escala europeia; um Governo para relançar a nossa atividade e atratividade turística, chamando nacionais e europeus para o Interior (onde os vírus pouco atacam!), que assuma uma política de imigração que favoreça a vinda e a integração dos povos dos PALOP, que reforce o combate implacável aos fogos, com vigilância tecnológica (drones, logística com inteligência artificial); um Governo para continuar uma política verde contra plásticos e combustíveis fósseis, virada para o desenvolvimento sustentado das novas fontes de energia mais limpa; um Governo que respeite pela cultura e tradição judaico-cristã do povo; um Governo que apoie os mais idosos e incapacitados (através da Segurança Social que suplementaria os apoios prestados por familiares, cuidadores e Instituições de Solidariedade Social); um Governo que repense e atualize o Sistema de Saúde do país, conjugando o SNS com os operadores privados e com parcerias com outros sistemas, contemplando outras formas de financiamento, trabalhando sem dogmas, mas concertadamente para o interesse de todos; em suma, um projeto de visão ampla, tendo como objetivo único o desenvolvimento do país e o bem-estar do nosso povo, para que em 2030 possamos ombrear com os mais ricos e felizes da Europa, disfrutando da vantagem da nossa gastronomia e enologia únicas e do clima solarengo incomparável.

 3Este Governo teria de aceitar à partida que, sendo a expressão da maioria absoluta do povo português (manifesta em todos os atos eleitorais pós-Abril 1974 74, já que nunca a soma de Comunistas, BE/UDP/CDE e agora o Chega, alguma vez obtiveram um valor superior a 33% de deputados), estaria legitimado a, desde logo, excluir todos aqueles que, sendo populistas ou demagogos, jacobinos ou gibelinos, comunistas ortodoxos, ou outros defensores de quaisquer tipo de ditaduras, tentassem, de algum modo, minar a sua integridade ou desviá-lo dos grandes objetivos a que se proporia.

Concluo: o objetivo é nobre e a causa é justa – os sacrifícios futuros e a crise atual só poderão ser aceites e combatidas por um povo forte e unido, se este se reconhecer nos governantes (atuais e vindouros), que deverão mostrar firmeza e determinação nas horas difíceis, sem demagogias, seguros de que, por uma vez, estarão a contribuir para engrandecer Portugal, tornando-nos num país viável e respeitado à escala das Nações.

Como aquilo que nos une é muito maior do que aquilo que nos separa e lembrando Winston Churchill e o seu governo de 1940, nada poderíamos prometer, mas em unidade temos mais hipóteses de vencer. Este desígnio estará em grande parte na sua mente e na sua mão, Senhor Presidente da República Portuguesa – este é o momento de ser um Estadista!