Todos os anos, em janeiro, os serviços de emergência japoneses avisam as famílias sobre os cuidados a ter quando comem “mochi”, um bolo de arroz que é tradicionalmente consumido no Ano Novo. Esta iguaria deve ser dividida em pequenas porções e bem mastigada, antes de engolida, aconselha-se. Isto, porque a textura gelatinosa do bolo pode ser perigosa, principalmente para as crianças e os mais velhos, causando, todos os anos, mortes por asfixia. Durante as celebrações do Ano Novo de 2015 morreram nove pessoas, sendo que outras 13 estão em estado grave no hospital, de acordo com os meios de comunicação japoneses.

Estima-se que cada japonês consuma, em média, um quilo de “mochi” por ano, sobretudo durante a primeira semana de janeiro. As celebrações de ano novo são um momento importante no calendário japonês e os bolos de arroz constituem uma das iguarias centrais. A preparação destes bolos segue um método tradicional. O arroz é batido – o que aumenta a sua viscosidade – por duas pessoas que recorrem a um almofariz e a um martelo de madeira. O bolo pode ser colocado na sopa, tostado, coberto com açúcar ou molho de soja e enrolado em algas.

Mas, a acompanhar esta tradição, existe também um longo historial de internamentos no hospital por asfixia e algumas mortes. Uma cena do famoso filme japonês Tampopo – uma comédia realizada por Juzo Itami que gira em torno da comida e de um restaurante de noodles gerido pela protagonista, que dá o nome ao filme, – faz alusão a este problema de forma humorística, chegando mesmo a utilizar-se um aspirador para retirar o bolo.

Mas os números mostram uma realidade nada divertida. Segundo o jornal Yomiuri, citado pelo Independent, na semana passada 128 pessoas tiveram de receber assistência médica depois de consumirem o bolo. O número de mortes registado esse ano é, no entanto, superior ao dos anos anteriores. Em 2014, morreram quatro pessoas e, em 2013, duas. Segundo o Guardian, mais de 80% das mortes é registada entre a população idosa, que tem maior dificuldade em engolir o “mochi”.

Este problema não passa ao lado das empresas que produzem o bolo de forma industrial. De acordo com o Guardian, uma firma de Osaka anunciou ter criado um “mochi” menos pegajoso e, por isso, mais fácil de engolir.

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