Crise dos Refugiados

Relatório da UNICEF: 306 mil crianças sírias já nasceram como refugiadas

Entre 2011 e 2013 morreram mais de 10 mil crianças na Síria e desde aí não existem registos oficiais. As que sobreviveram vêem os seus direitos violados diariamente.

Crianças sírias num campo de refugiados na Jordânia, em 2012

KHALIL MAZRAAWI/AFP/Getty Images

“Nenhum lugar é seguro para as crianças na Síria”, refere o relatório da UNICEF “O impacto de cinco anos de guerra nas crianças da Síria e na sua infância”. Mais de 10 mil crianças foram mortas entre 2011 e 2013 e desde então que não há registo oficial do número de mortes entre os mais novos.

Há crianças mortas, mutiladas, sequestradas ou recrutadas para o conflito. As que sobrevivem não têm acesso a cuidados básicos: oito milhões de crianças, na Síria e nos países vizinhos, precisam de ajuda, refere o relatório. Algumas conseguem fugir. Metade de todos os refugiados são crianças. 15.525 já atravessaram a fronteira da Síria à procura de melhores condições e 306 mil já nasceram refugiados.

Em cinco anos, desde que se iniciou o conflito na Síria, já nasceram 3,7 milhões de crianças – 2,9 milhões de crianças no país e 811 mil nos países vizinhos. Estas crianças conheceram apenas cidades bombardeadas, escolas e hospitais fechados, doenças outrora extintas e pais desempregados que não conseguem fornecer-lhe as condições mínimas de vida. A Síria, que chegou a ser um país desenvolvido e autossuficiente, agora tem crianças que morrem de malnutrição severa.

“Não podemos recuperar os anos preciosos da infância arrebatados por esta guerra brutal, mas podemos e devemos prevenir que os seus futuros também sejam roubados. O futuro deles será o futuro da Síria”, escreve Anthony Lake, diretor executivo da UNICEF, no relatório.

Uma das principais preocupações da UNICEF são as crianças recrutadas para a guerra, aliciadas com presentes ou com “salários” de 400 dólares por mês. E se no início eram escolhidos os rapazes entre os 15 e os 17 anos, desde 2014 têm sido recrutadas crianças muito mais novas, algumas com sete, muitas vezes sem o consentimento dos pais. Só em 2014, 460 crianças foram raptadas com o objetivo de integrar o conflito armado.

A UNICEF aproveita o relatório para lançar o alerta sobre os direitos das crianças que não estão a ser respeitados. A água para consumo não é segura, a comida é escassa e as condições de higiene são pobres. As crianças estão expostas a doenças infecciosas que já tinham sido erradicadas, não têm acesso a cuidados de saúde, nem à educação, e muitas nem têm uma casa onde ficar. Além disso, há crianças forçadas a trabalhar, a combater ou até a casar-se.

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