Explicador

O que está em causa na Autoeuropa. Conflito laboral ou guerra sindical?

Agosto 201730 Agosto 2017581
Ana Suspiro

A Autoeuropa conseguiu sempre resolver problemas laborais com negociação. Porquê a greve?

Pergunta 2 de 13

A Autoeuropa sempre privilegiou o diálogo com as estruturas internas representantes dos seus trabalhadores, ou do grupo, embora tenha conversas também com os sindicatos.

A tradição das grandes empresas industriais alemãs é a de que os trabalhadores estejam representados nos órgãos sociais. As regras laborais da Autoeuropa resultam dos acordos negociados com a comissão de trabalhadores que, durante cerca de duas décadas, foi sinónimo de um nome, António Chora.

Este veterano só deixou o lugar para ocupar o cargo de deputado pelo Bloco de Esquerda, tendo regressado à comissão de trabalhadores. Chora reformou-se no início deste ano, o que abriu um espaço para a disputa de poder na maior fábrica de automóveis do país.

Em declarações ao Jornal de Negócios, António Chora explica que atrasou a sua saída para tentar fechar o acordo para a produção do T-Roc, mas a empresa não iniciou o processo negocial nesse tempo adicional, eventualmente porque esteve empenhada nas negociações com a Volkswagen alemã para garantir o T-Roc, um modelo muito disputado dentro do grupo alemão. Em declarações à TSF, Chora acredita que se estivesse na empresa nem haveria greve.

Outra fonte contactada pelo Observador admite que a demora em dar informação aos trabalhadores sobre os novos horários — já se sabia que o modelo T-Roc ia obrigar a trabalhar ao sábado — alimentou desconfiança face à proposta da administração.

Quando se demitiu, no final de julho, o coordenador da comissão de trabalhadores, Fernando Sequeira, tinha já avisado para o “assalto ao castelo” por parte de um sindicato. Acusou o SITE Sul, afeto à CGTP, de “inflamar” os ânimos na fábrica, pondo os trabalhadores contra o novo horário, e de não perceber que as exigências da laboração contínua não são comparáveis com um horário normal de trabalho.

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