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“Pela primeira vez, a Índia será governada por pessoas nascidas na Índia independente”. Foi assim que Narendra Modi se dirigiu aos apoiantes no discurso de vitória proferido ao início da tarde desta sexta-feira. O vencedor das eleições gerais e futuro primeiro-ministro disse ainda que a população “não deve agora pensar em dar a sua vida pelo país mas sim viver por ele” e apelou à cooperação entre todos os partidos políticos.

O BJP – que em português significa Partido Popular da Índia -, do qual Narendra Modi é líder, tem um forte pendor nacionalista hindu e ganhou as eleições gerais na Índia. Os resultados finais só serão conhecidos no fim do dia de sexta, mas a vitória será “massiva”, com a conquista de mais de 300 dos 543 lugares do Parlamento.

“Isto é o início da mudança, uma revolução do povo e o começo de uma nova era”, disse Prakash Javadekar, um dos mais altos responsáveis do BJP, aos jornalistas.

O Congresso Nacional Indiano, o partido até agora no Governo na Índia, admitiu de manhã a derrota nas eleições realizadas ao longo de cinco semanas. “Aceitamos a derrota. Estamos preparados para ser oposição”, disse à BBC Rajeev Shukla, porta-voz do Congresso.

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A vitória de Modi poderá ser a mais expressiva desde 1984, a última vez que um partido – o Congresso – conseguiu obter uma maioria absoluta. Pouco depois das 07h45 (hora de Lisboa), o BJP tinha já garantido metade dos lugares do Parlamento (272), mas o partido deverá ultrapassar os 325 mandatos.

A primeira congratulação pela vitória de Modi surgiu no Twitter, onde o futuro primeiro-ministro escreveu: “A Índia ganhou! Vêm aí bons tempos”. Este tornou-se, aliás, o tweet mais vezes partilhado na história daquela rede social na Índia.

A economia indiana atravessa atualmente uma fase de crise, com as taxas de inflação e de desemprego elevadas e o crescimento económico em valores abaixo dos 5%. A vitória de Modi foi recebida com entusiasmo na bolsa indiana, que atingiu máximos históricos.

Modi é encarado como alternativa ao longo domínio do Congresso no panorama político no país, mas as suas posições estão longe de ser consensuais. O futuro primeiro-ministro está associado a uma organização paramilitar hindu que nutre simpatia pelos movimentos fascistas da Europa e foi mesmo acusado de cumplicidade em crimes ocorridos em 2002 contra muçulmanos, na região de Gujarat.