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A companhia francesa de comboios (SNCF) e a Rede Ferroviária Francesa (RFF) têm muito para falar. Uma fez a encomenda das carruagens e a outra enviou os mapas e especificações das estações desatualizadas. Resultado: 2000 carruagens novas que são “largas” de mais para entrar em algumas das estações mais antigas.

Em 2009, a SNCF – responsável por gerir os comboios – fez uma encomenda de 2000 novas carruagens à Alstom e Bombardier, no Canadá, com intenção de modernizar a frota acusada de estar decrépita. A RFF – gere as infra-estruturas ferroviárias e plataformas – ficou responsável por enviar as especificações das estações e linhas férreas. E enviou, só estavam era desactualizadas.

Quando foram recebidos os primeiros protótipos, as duas companhias aperceberam-se que as novas carruagens não conseguiam entrar em algumas das estações mais antigas, eram 20 centímetros mais “gordas”. Já era tarde demais e 2000 novas carruagens vinham a caminho. Isto está a obrigar a uma actualização à pressa de muitas estações francesas, principalmente na zona centro do país.

O presidente da Rede Ferroviária Francesa RFF, Jacques Rapoport, nega qualquer envolvimento com o erro, apesar de reconhecer que o problema foi descoberto “um pouco tarde”. Entretanto, o governo francês já solicitou a abertura de uma investigação interna à RFF e SNCF. Nas palavras do ministro de transporte, Frédéric Cuvillier, este caso é “incrível”.

Ao todo, esta má comunicação pode custar 50 milhões de euros à RFF. Para Rapoport, esse valor será uma “uma despesa útil e necessária, sob a pena de [caso as alterações não sejam feitas] terem menos meios de transporte e de menos confortáveis”, afirmou ao Le Monde. De acordo com as declarações do presidente, esta “asneira” não terá nenhum impacto no preço dos bilhetes e as despesas de adaptação das estações serão cobertas pela receita adicional gerada pelo aumento do tráfego ferroviário.

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