Madrid é a palavra de ordem. Atlético ou Real é a escolha. Os espanhóis já enchem Lisboa e, na noite antes da grande final da Champions, o Observador saiu à rua e foi conhecer os adeptos. Todos diferentes.

 

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Partiram de Valladolid, a 180 quilómetros de Madrid. Vieram de carro e dividiram as sete horas na condução. Agora, querem ir jantar. O Atlético de Madrid entrou nas vidas de Fernando Monson e Laura Monson, pai e filha, de uma forma especial. “A él le gusta porque me gusta me”, conta Laura entre gargalhadas. Traduzindo: foi a filha aficionada pelo clube que passou o gosto ao pai. Antes, Fernando Monson, 54 anos, apenas simpatizava com o clube da vila, o Valladoid. Futebol não mexia consigo. 

Laura Monson, 23 anos, não consegue explicar quando nasceu a paixão. “Está en la sangre”. Com 11 anos, usou aquele choradinho para conseguir que o papá a levasse aos jogos do Atlético de Madrid e, desde aí, o pai começou a ganhar-lhe o gosto. Apesar disso, a diferença no nível da paixão não se esbateu: é a filha que grita nos jogos, rói as unhas, chora, “se pone nerviosa”, conta o pai. Lembra a reação da filha na final do Mundial de 2010, na África do Sul, em que Espanha se sagrou vencedora: “mucha alegría, muchas lagrimas”. 

A fome dos dois ficou mais forte com a conversa e o menu está escolhido. Laura já esteve em Lisboa de férias e ficou fã do tradicional polvo à lagareiro. O pai nunca esteve na capital e nunca provou a iguaria. Hoje é o dia.  

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Acabados de chegar a Lisboa, estão animados e carregados de malas.  Atropelam-se a fazer apostas para a final de amanhã, marcada para as 19h45: 2-1, 5-0, 3-1, 4-0, 2-0, 4-2. O Real Madrid é o vencedor indiscutível, como denunciam os cachecóis que seguram orgulhosamente. À pergunta “O que vão fazer esta noite?”, os amigos respondem sem hesitação, como quem estudou bem a cidade antes de aterrar. Vão jantar ao restaurante Bica do Sapato e, depois, vão dançar toda a noite na discoteca Lux Frágil. O plano está assim definido graças à internet, explicam. Fizeram uma pesquisa e foi lá que encontraram as melhores críticas ao restaurante e à discoteca, e terão esta noite para comprovar.

 

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Antonio Piqueras, Javier de Elena e Javier de Elena. Não, não é um erro. Os dois últimos são pai e filho e o nome passou de um para o outro. Além da relação parental, une-os o amor ao Atlético de Madrid, “el mejor clube de toda a Espanha”, o mesmo motivo que os ligou ao amigo António e os trouxe a Lisboa.

Iam a descer a encosta do Bairro Alto, a olhar em volta, a escolher um bar para beber uma cerveja. Lisboa é só elogios, excepto num pequeno (grande) pormenor. O preço da estadia na capital. “1000 euros”, dizem, “muy caro”, com ar reprovador. Mas rapidamente arranjaram uma solução: estão instalados num hotel em Alcácer do Sal, a 80 quilómetros de Lisboa. E não é muito longe? “Una hora”, desvalorizam. É pouco, quando o amor ao Atlético é bem maior. E seguiram caminho. Já sentados numa mesa, de cerveja em punho, brindaram à desejada vitória do clube.

 

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Gervásio Moriarti, 35 anos, é um aficionado do Atlético de Madrid. Já tinha estado em Portugal nos oitavos-de-final da Liga Europa entre o Sporting e o Atlético, em março de 2010. É um veterano nas lides do futebol e, como tal, sabe muito bem o que é preciso para criar a atmosfera perfeita.

Em conjunto com o amigo Alfonso Vialonga, 36 anos, procura vinho do Porto num supermercado. Procuram, procuram, mas não encontram. Mas o problema resolveu-se rapidamente com vinho do Alentejo. “Muy agradable también”, relativiza Gervásio. O que Alfonso mais gosta em Lisboa não é o clima, não é a comida, não é o Castelo de São Jorge, mas antes “los precios”, responde, a rir. “Todo está más barato que en España”,  justifica.