Todos os anos a revista Time publica uma lista das 100 pessoas mais influentes do mundo. Este ano, entre os vários nomes que estavam disponíveis para votação, estava o de Laverne Cox, a atriz transexual que participa na série Orange Is The New Black (OITNB). Quando a votação fechou, Laverne ficou de fora de lista, o que gerou, nas redes sociais, uma onda de protesto contra a publicação norte-americana. Em jeito de desculpa, a Time decidiu dar-lhe o que muita gente quer mas não pode ter: um lugar na capa.

Para a Time, da mesma maneira que a questão da discriminação racial eclodiu nos EUA na década de 50 e a luta pelos direitos dos homossexuais se tornou um debate central nos últimos anos, a discussão sobre os transgéneros será a próxima fronteira dos direitos civis nos Estados Unidos. E não só. Depois de a Austrália e a Índia terem reconhecido legalmente o terceiro sexo, a Alemanha aprovou uma lei que cria o terceiro sexo para registo de recém-nascidos.

Na entrevista que deu à publicação, que irá para as bancas a 9 de junho, Larvene fala da sua infância no estado do Alabama, no sudeste dos Estados Unidos, bem como da percepção sobre as mudanças que têm vindo a ocorrer dentro da comunidade transgénero a nível de visibilidade e aceitação. Para a atriz, o acordar da sociedade norte-americana para a questão do terceiro sexo deu-se com a entrevista feita por Katie Couric, onde Larvene e Carmen Carrera, outra mulher transexual, criticaram a ignorância e insensibilidade dos media para o tema.

“Foi aí [depois da entrevista] que senti que as coisas realmente mudaram. Senti-me mesmo bem e pensei que nunca tinha ouvido ninguém falar realmente a sério sobre a taxa de homicídio na comunidade transexual e sobre a discriminação existente e sobre Islan Nettles, que foi morta simplesmente porque estava a andar na rua e era transexual”, disse Laverne à Time. Num vídeo que mostra os bastidores da produção fotográfica para a Time, Laverne comparou o tão desejado fim da violência contra a comunidade transexual a um movimento de justiça social, que deve dar atenção não apenas a problemas de discriminação racial, mas também a problemas de discriminação sexual.

A capa da Time demonstra que a afirmação do terceiro género será a grande questão sócio-política a marcar a agenda da luta pelos direitos civis e pela igualdade sexual. O contínuo sucesso deste movimento que, tal como Laverne explica na sua entrevista, ainda agora começou, deve-se a uma estratégia básica: visibilidade promove consciencialização. No entanto, ainda há muitas barreiras a ultrapassar já que, nos Estados Unidos, a comunidade transexual continua a ser um dos alvos preferenciais de bullying, violência e homicídio.