O líder parlamentar do PS, Alberto Martins, propôs na reunião da bancada parlamentar do PS, que o partido vote favoravelmente a moção de censura do PCP ao Governo e apresente em simultâneo uma declaração de voto “a demarcar-se” da argumentação dos comunistas.

Na segunda reunião do grupo parlamentar desta quinta-feira à tarde, Martins afirmou mesmo que o secretário-geral entende ser esta a melhor solução para ultrapassar as divisões internas e que mostrar unidade para o exterior é muito importante. Muitos deputados (costistas mas também seguristas) levantaram dúvidas sobre o voto a favor de uma moção de censura que critica também o PS e o Tratado Orçamental.

Segundo apurou o Observador, Francisco Assis foi um dos primeiros intervenientes na reunião para defender uma “reavaliação” da posição do partido. O cabeça de lista às últimas eleições europeias considera um “erro” votar-se a favor da moção de censura depois de conhecido o texto, porque considera a argumentação do PCP uma atitude para provocar o PS. Seguro disse que ‘sim’ à moção do PCP antes mesmo do partido ter divulgado o texto da moção, e o texto contém argumentação que é contrária, por exemplo, ao que Assis defendeu na campanha que terminou no domingo.

Assis acabou por pôr em causa uma decisão tomada pelo líder do partido, precisamente numa altura em que já assumiu o apoio a Seguro.

Quem também esteve ao lado de Francisco Assis foi Vieira da Silva. O ex-ministro da Economia disse concordar que a posição do PCP não foi feita por acaso e que podia até ser lida como uma moção de censura ao próprio PS. Carlos Zorrinho, ex-líder parlamentar, até concorda com esta leitura, mas alinhou, segundo apurou o Observador, ao lado da direção da bancada, dizendo que as diferenças entre PS e PCP têm de ficar bem definidas na declaração de voto.

Jorge Lacão, que na reunião da bancada de manhã tinha defendido uma abstenção, disse,na reunião da bancada à tarde, que votaria conforme o que fosse decidido, apesar de manter a ideia que seria preferível ter optado pela abstenção.

Já António Costa, na Quadratura do Círculo que vai para o ar esta noite, na SIC-Notícias, defendeu que o PS não tinha outra opção senão votar como propôs Seguro.