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O ataque de Seguro a Costa tem vindo a desencadear uma onda de acusações intermináveis entre os que apoiam o secretário-geral e os que apoiam António Costa. Durante a tarde deste sábado, a campanha para a liderança do PS fez-se nas redes sociais. A motivação para o desentendimento veio da acusação de Segura a Costa face à queda do PS nas sondagens divulgadas este fim de semana. O secretário-geral do PS disse estar “indignado” pela “queda brutal ao PS”, acusando o autarca de prejudicar o partido devido à sua ambição pessoal.

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O secretário-geral reagiu esta manhã no seu Facebook oficial às sondagens do jornal i e do Expresso, que mostram quedas expressivas na intenção de votos nos socialistas para as legislativas. “Este é o resultado da irresponsabilidade do António Costa” conclui Seguro no seu perfil oficial.

Vários costistas já responderam, com Marcos Perestrello a ser a voz oficial da campanha do autarca. ” 60% das pessoas dizem que o PS sairá mais forte deste processo de escolha do líder e candidato a primeiro-ministro”, aponta o socialista próximo de Costa em comunicado enviado à Lusa, sublinhando que nessas sondagens há mais pessoas a preferirem António Costa a Seguro na liderança do PS.

Anteriormente Augusto Santos Silva e Ascenso Simões já tinham vindo fazer a defesa do autarca nas redes sociais. Santos Silva, também na sua página no Facebook, escreveu que “o debate interno do PS é um debate político e não um drama passional”, acrescentando que “quem achar o contrário deve procurar outra guarida”.

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Já Ascenso Simões diz não concordar com o “amigo e camarada de três décadas” António José Seguro, escrevendo que “há momentos em que as sondagens são meros pontos de paragem, são elementos insignificantes”.

O post de Seguro desencadeou uma novela de comentários ao longo da tarde. “Os seguristas estão a ficar inseguros. Daí terem enveredado pelo ataque e acinte pessoal contra António Costa. Desde o próprio Seguro, hoje, a ÁlvaroBeleza, no i, passando por Proença e pelo tradicional António Galamba… que tristeza! Habituem-se!”, desabafou o deputado José Lello no Facebook.

António Galamba, braço-direito de Seguro, por seu lado, tinha acabado de criticar quem considerou o post de Seguro como “um ataque pessoal”. “Quando se enunciam os factos está-se a fazer um ataque pessoal. […] Os factos são o que são: ambição pessoal de António Costa custou uma queda de 5 pontos percentuais ao PS nas sondagens”, escreveu Galamba na sua página de Facebook.

“Depois de um discurso de Pirro, sem qualquer marca de diferenciação com a linha política e as propostas aprovadas na Moção Portugal tem Futuro e no Contrato de Confiança, fica claro que a única dimensão pessoal que existe é a da ambição pessoal sem limites” António José Seguro

Também Miguel Laranjeiro, coordenador da campanha das europeias e apoiante de Seguro, disse no Facebook que a diferença entre as duas candidaturas é que o líder do PS está preocupado com o Partido Socialista e “indignado com as consequências claras que a irresponsabilidade de António Costa”, enquanto o autarca e os seus apoiantes “apenas estão preocupados com os seus resultados pessoais”. “Depois de uma vitória eleitoral nas Eleições Europeias, o Partido Socialista desce nas sondagens realizadas nos últimos dias. Consequência clara da decisão de António Costa em criar uma crise no interior do PS. Curiosamente, o Secretário-geral é o líder político com maior popularidade. O PS é que foi posto em causa”, aponta Laranjeiro.

Nas sondagens divulgadas este sábado pelo jornal i e pelo Expresso, o PS teve quedas acentuadas face à última análise à intenção de votos dos portugueses. O PS caiu 9 pontos percentuais na sondagem do i/pitagórica e 5 pontos percentuais na sondagem do Expresso/Eurosondagem.