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À semelhança do que aconteceu no Mundial de Futebol da África do Sul, com o leopardo Zakumi, para o campeonato no Brasil foi escolhida uma mascote que simbolizasse um animal do país – o tatu-bola. Tolypeutes tricinctus é a única espécie de tatu-bola que vive exclusivamente no Brasil e, além disso, é uma espécie em vias de extinção. Assim, a mascote e o nome escolhido – Fuleco – combinam o evento e a preocupação: futebol e ecologia.

Como o nome indica, este tatu é capaz de se fechar completamente numa bola quando se sente ameçado. O animal tem uma placa a cobrir a cabeça e outra a cauda. E mais cinco, unidas por tiras de pele elástica, a cobrir a parte posterior do corpo. A parte anterior do corpo deste mamífero, a barriga, só fica protegida quando se enrola.

Existe outro tatu capaz de se fechar numa bola, o Tolypeutes matacus, que além de existir no Brasil, também é encontrado na Bolívia, Paraguai e Argentina. Ambos usam as garras curvas para escavar o solo à procura dos insetos de que se alimentam.

Classificado como vulnerável pela União Internacional para a Conservação da Natureza, o tatu Tolypeutes tricinctus esteve considerado extinto até ser redescoberto em 1990. Uma das principais ameaças é a destruição do habitat – a caatinga, matagal espinhoso seco no nordeste do Brasil, e o cerrado, uma savana arbustiva no centro do país. Outra das ameaças é a captura para a alimentação humana.

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Com o Fuleco, a FIFA (Federação Internacional de Futebol) pretendia ter um papel mais ativo na conservação da natureza durante este mundial. O programa “Futebol para o planeta” incluia a monitorização de gases com efeito estufa, estádios amigos do ambiente e melhor gestão dos resíduos. Mas alguns cientistas consideram que a FIFA não está a fazer o suficiente e desafiam-na, segundo um comunicado da EurekAlert, a tomar algumas medidas reais: proteger mil hectares do ecossistema caatinga por cada golo marcado durante o mundial.