Visto de trás era a cara de Pepe. Era mesmo, literalmente. Uma máscara na nunca de um homem, uma réplica da cara do central da selecção portuguesa. O que tinha acabado de acontecer no Arena Fonte Nova, expulsão do internacional português, levou-me a não desperdiçar a oportunidade e meter conversa.

– Oi, posso falar um pouco com você?

– Pode, claro.

– Você traz a máscara do Pepe, gosta dele?

– Olha, nós somos familiares dele…

Afinal, o Arena Fonte Nova também é capaz de dar sorte a um português. Edival é ex-marido de uma das primas de Pepe, Cátia. Têm duas filhas e vieram os cinco ao jogo aqui em Salvador (o namorado de uma das filhas também veio). “Foi ele que arranjou os ingressos para nós. Foi o pai dele, na verdade, o Pepe deu para o pai para ele nos dar esses ingressos.”

Cátia prefere não falar. Tem vergonha e está aborrecida com o que aconteceu. Não quer. Edival quer. “Eu acho que ele estava jogando muito bem, até fazer a besteira que fez.” Edival lamenta a atitude do central da equipa de Paulo Bento, para mais porque é recorrente: “Perdeu a cabeça, como várias outras vezes… Tem que botar a cabeça no lugar para jogar”. E agora há um problema para o futuro, de Pepe e da seleção, “vai pegar pelo menos uns dois jogos de suspensão, se Portugal brincar vai nem jogar mais na Copa.”

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Pois é, caso as coisas corram mesmo muito mal a Portugal, e o castigo aplicado a Pepe seja pesado, o central pode nem voltar a jogar neste Mundial. Caterine, uma das filhas de Cátia e Edival, espera que tal não aconteça, mas também ela está desiludida. Nem tanto com Pepe, mais com o conjunto, e um certo “cara” em particular: “Esperava mais de Portugal e esperava mais do Cristiano Ronaldo, que também não jogou muito não. Mas da próxima vez melhora, né?”.

Depois dessa frase da filha, Cátia surpreende e entra em campo, com tudo. “O Pepe devia ter dado um murro naquele cara lá. Já que ia sair mesmo, pelo menos dava um murro no palhaço que estava lá no chão.” O sangue quente parece ser marca familiar. A prima do central internacional português, a mãe é irmã do pai de Pepe, não haveria de voltar a falar mais, a não ser para me desejar um “bom resto de Copa.” Caterine, ri-se, acena com a cabeça em concordância e remata: “Também concordo, já que ia sair mesmo, devia ter batido nele.”

Entretanto Edival chuta a conversa para canto. Mostra uma camisola da equipa portuguesa que o pai de Pepe lhe ofereceu no Domingo, véspera do jogo com a Alemanha. Veste-a, apesar de ser de manga comprida e a temperatura em Salvador ser de 26 graus centígrados, e diz: “Pode tirar uma fotografia, está à vontade!”