A moda não é nova, mas os perigos permanecem atuais. Em maio deste ano o Guardian colocava a questão: estão as selfies de celebridades a praticar ioga a enviar uma mensagem errada? A publicação alertava, então, para o perigo de alguns fãs imitarem poses complicadas, das quais poderiam resultar ferimentos sem o devido acompanhamento de especialistas. Mas não só, as fotografias publicadas por famosas podiam, de igual modo, estar a subverter os valores da modalidade, baseada, sobretudo, na humildade.

Os ânimos não acalmaram desde então e, agora, é vez de o El Mundo recordar o tema. Num artigo publicado esta segunda-feira, o jornal espanhol indica Gisele Bündchen ou Miranda Kerr como algumas das estrelas que, através das redes sociais Facebook e Twitter, ajudam a fomentar a polémica. Mas estes são apenas alguns exemplos, ao quais podemos acrescentar ainda os nomes de Lea Michele, protagonista da série televisiva Glee,  e a mulher do ator norte-americano Alec Baldwin. Hilaria Baldwin, que em tempos foi instrutora da modalidade, tem sido duramente criticada, pela comunidade ioga daquele país, pelas poses “estranhas” que insiste em tornar públicas.

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Hilaria Baldwin Official Instagram

Bruno Reis, professor de ioga há dez anos, garante que o acompanhamento, quando a praticar a modalidade, é de extrema importância. Seja através de um professor ou de um livro, muito embora tenha reservas quanto à bibliografia existente no mercado. “É fundamental ter, em primeiro lugar, aulas com um professor que ensine o aluno a praticar ioga sozinho, isto é, escolher um método em que a pessoa sinta que o que está a aprender vai ter aplicação prática no dia a dia”, diz ao Observador.

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Gisele Bündchen Official Instragram

No que à exposição das celebridades diz respeito, Bruno tem uma opinião dividida.

“Confesso que muitas vezes uso imagens de celebridades nas minhas redes sociais para consciencializar as pessoas no sentido de uma vida mais saudável”, afirma, considerando que isso ajuda a fazer publicidade. Mas, por outro lado, há cuidados a ter em conta.

“Na fotografia da Gisele, ela aparece acompanhada por um professor pelo que não considero que seja arriscado”, mas o mesmo não pode dizer das imagens onde Hilaria Baldwin surge em posições arrojadas, em cima do que parece ser um banco e na linha do comboio. “Não acho que seja a melhor forma de atrair as pessoas para a comunidade do ioga”, salientado a existência de perigo para os fãs que a seguem. No caso da cantora e atriz Lea Michele, o professor não consegue perceber se se trata de uma brincadeira, acabando por desvalorizar a imagem. Ainda assim, na sua opinião, os valores do ioga não estão a ser postos em causa e destaca, uma vez mais, o que diz ser (boa) publicidade.

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Lea Michele Official Instragram

O certo é que a prática do ioga é mais fácil de conquistar caso haja o devido acompanhamento. Aprender a respirar devidamente, bem como compreender os conceitos de concentração e equilíbrio na sua totalidade é fundamental. “O processo de iniciação ao ioga é sempre algo muito particular e nunca podemos comparar-nos com terceiros. A partir daí, há sempre algo a aprender. É como um hóbi, como tocar piano ou dançar. Vamos aprendendo consoante o tempo que investirmos”. Para Bruno, todos deviam experimentar o ioga uma vez da vida. “Se não gostar, experimente uma segunda vez mas com outra pessoa, até porque existem muitos estilos de ioga e, dentro destes, vários estilos de ensinamento”.