Portugal teve um aumento de 155% do fluxo de emigração entre 2008 e 2012, o maior de toda a União Europeia, de acordo com o relatório da Comissão Europeia sobre “Emprego e Situação Social”, divulgado nesta segunda-feira. O Chipre, o segundo classificado nesta estatística, ficou à distância, com 72%.

“Estes valores fazem sentido”, diz João Peixoto, especialista em emigração do Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa. Na emigração “há uma correlação fortíssima com a taxa de desemprego”, explica João, lembrando que existem também aqueles que são “desencorajados” a ficar no país, pois “recebem pouco” ou têm “más condições de trabalho”.

“Se olharmos para os dados do Instituto Nacional de Estatísticas [INE], era expectável”. O volume de saídas de um dado país é “regulado pelas oportunidades no mercado de trabalho”, lembra. 

Portugal continua a não ser um país de chegada, mas sim um de partida. Só 2% da força laboral portuguesa não é europeia e menos de 0,5% é europeia. Entre 2008 e 2012, o fluxo de imigrantes a entrar em Portugal caiu 51% – passou de 29 719 para 14 606, segundo o relatório da Comissão Europeia.

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Ao mesmo tempo, Portugal também é o segundo país da União Europeia com mais cidadãos em idade de trabalho a viver em outro país da UE, com 11,5%, seguido pela Hungria, 11,3%, e a Lituânia, 10,8%. Em primeiro lugar está a Roménia com 14,2%. Ainda é preciso somar a este dado que Portugal é o segundo país com maior percentagem de emigrantes que passam mais de 10 anos fora do país, neste caso ficando atrás da Hungria.

No relatório da Comissão Europeia são também divulgados os resultados de um inquérito aos cidadãos de cada país, em 2011 e 2013, que perguntava: “Consideraria trabalhar em outro país da UE?”. Em 2011 a pergunta era em aberto, mas em 2013 tinha o espectro “nos próximos 10 anos.”

As intenções portuguesas passaram de 20% para 22%. Porém, na Europa a 27, as intenções de trabalhar noutro país da UE que não o próprio passaram de 28% para 25%. Isto deve-se principalmente a diminuições de intenção superiores a  10% por parte da Suécia, Finlândia, Alemanha, Holanda, Letónia, Dinamarca. Esta mudança está directamente relacionada com a crise económica que se fez sentir mais nos países do Sul da Europa.

Já no portal do emprego EURES, criado pela comissão europeia, Portugal é o terceiro país com maior número de registos, 85 000, estando empatado com a Roménia. Itália tem 185 000 registos e a Espanha 321 000.

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De acordo com o relatório da Comissão Europeia, cerca de 10,3 milhões de europeus moram em outro país que não o de nascimento, incluindo 310 000 da Croácia, país que aderiu à União Europeia no ano passado. Do total de europeus, 12,4% estão desempregados. Já não-europeus moram 15,5 milhões, 22,2% estão desempregados. De todos os países da União Europeia a 27, só o Luxemburgo e o Chipre recebem mais europeus que não-europeus, segundo o relatório.

Algumas tendências gerais sobre a emigração europeia evidenciadas no relatório:

• É mais comum os emigrantes ocuparam trabalhos temporários ou a tempo parcial;
• Existe uma tendência para os emigrantes serem mais jovens e mulheres;
• Sobrequalificados para o trabalho que executam, especialmente os provenientes da Bulgária e Roménia.
• É menos provável que peçam apoio a instituições sociais do país onde estão emigrados;