Há 50 anos, Jacques-Yves Cousteau passou 30 dias num laboratório submerso no Mar Vermelho, provando ser possível viver sob condições de pressão barométrica elevada. Esta semana, Fabien Cousteau, neto do lendário explorador e inventor do aqualung (sistema que permite respirar ar de uma garrafa durante a prática do mergulho), quebrou o recorde do avô completando mais um dia debaixo de água no projeto Mission 31.

A pressão barométrica que resulta do peso que a água exerce sobre o mergulhador varia com a profundidade e é responsável pela saturação dos gases presentes no corpo humano, um aspeto que limita a duração do tempo de mergulho. Deste fenómeno pode resultar a doença descompressiva, que ocorre quando o mergulhador sobe à superfície e o gás presente no corpo expande. Quanto maior a profundidade e a duração do mergulho, maiores são os riscos e consequências para a saúde.

Por isso, viver um mês numa estrutura submersa a 20 metros é um desafio para o corpo, mas ao mesmo tempo uma oportunidade de ganhar tempo para pesquisa. O que Jaques Cousteau provou há 50 anos foi que o corpo humano uma vez “saturado” por uma pressão constante, consegue prolongar drasticamente os tempos de mergulho àquela profundidade. Na prática, nos 31 dias desta missão, Fabien Cousteau e a sua equipa conseguiram produzir o equivalente a seis meses de dados se estes tivessem sido obtidos em mergulhos normais, muito limitados pela relação entre tempo, profundidade e número.

Este dia a mais que Fabien acrescentou ao recorde do avô foi, evidentemente, simbólico. Os objetivos foram cumpridos: fizeram investigação científica importante sobre o meio aquático, sobre a capacidade fisiológica humana e promoveram a preservação dos oceanos, pela ligação e interação permanente com a comunidade através das redes sociais.

O laboratório onde os nove investigadores viveram durante 31 dias chama-se Aquarius, está no fundo marítimo das Florida Keys a 20 metros de profundidade, e é utilizado em permanência para investigação científica.