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A fatura do Estado com juros da dívida pública subiu quase 17% nos primeiros cinco meses do ano e quase 40% dos juros pagos pela dívida pública foram para a troika, diz a Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO).

Na sua nota mensal sobre dívida pública enviada esta tarde aos deputados, a que o Observador teve acesso, a UTAO explica que o Estado teve de pagar 2206,5 milhões de euros entre janeiro e maio só em juros da dívida, um aumento de 16,8% face ao mesmo período de 2013.

Destes, 2,2 mil milhões de euros, 857,8 milhões de euros foram para pagar juros do empréstimo conjunto do Fundo Monetário Internacional e da União Europeia no âmbito do pedido de resgate feito em abril de 2011.

A UTAO explica ainda que Portugal deve pagar 2103 milhões de euros em juros à troika só este ano, a que acrescem ainda os valores das comissões e outros encargos com estas emissões de dívida (até maio foram de 17,8 milhões de euros).

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Os técnicos independentes que trabalham junto da comissão parlamentar de orçamento, finanças e administração pública, fizeram ainda um cálculo ao impacto ao impacto da queda do euro na dívida pública e dizem que só por causa dessa depreciação o stock da dívida aumentou 324 milhões de euros.

A UTAO explica que a dívida direta do Estado (todo o valor de dívida emitida, incluída a que foi comprada por entidades como a Segurança Social que depois não considerados nas contas das entidades estatísticas) até sofreu uma ligeira redução em maio, fruto em parte do pagamento antecipado feito pelo BCP dos capitais públicos injetados no banco.

A redução em maio foi de 736 milhões de euros, mas a depreciação do euro trouxe notícias menos boas e fez aumentar a dívida pública em 324 milhões de euros. Isto acontece porque 12,7% do total da dívida direta do Estado é emitida em outras moedas que não o euro.

Por exemplo, a 02 de julho, Portugal fez uma emissão em dólares de dívida a 10 anos, onde conseguiu emitiu 4,5 mil milhões de dólares de dívida a uma taxa de juro de 5,225%.