Manuel Alegre diz estar “incomodado” com a expulsão de Cristina Martins, antiga coordenadora da secção da Sé Nova do PS de Coimbra que denunciou as inscrições de militantes com “moradas que não existem”. A decisão do partido foi conhecida na terça-feira e o histórico do PS diz que “há neste assunto um problema de ética” e que a situação tem de ser “esclarecida”. Um grupo de militantes já pediu mesmo a suspensão das eleições da federação socialista em Coimbra devido às suspeitas dos cadernos eleitorais.

“Estou muito desconfortável com a expulsão de Cristina Martins, militante socialista exemplar da minha secção da Sé Nova em Coimbra, a quem expresso publicamente a minha consideração e solidariedade”, declarou Manuel Alegre à Lusa. Martins foi expulsa do PS na terça-feira, depois de ter denunciado a existência de militantes fantasma nos cadernos eleitorais do partido, como foi avançado pelo Sol nesse mesmo dia.

Segundo o dirigente “histórico” socialista, “o problema não está no facto de Cristina Martins ter comunicado uma fraude relativa a falsas inscrições no PS”. “O problema está nessa alegada fraude em si mesma, que, além de estar a ser investigada pela Polícia Judiciária, deveria igualmente ser investigada pelos órgãos competentes do PS”, contrapôs o histórico do PS, acrescentando que há neste processo “um problema de ética”. Alegre diz que juntamente com António Campos, também fundador do PS, está preocupado com esta situação.

Ao mesmo tempo, um grupo de militantes de Coimbra, incluindo António Campos, pede a “suspensão imediata das eleições na federação”, que estão marcadas para 6 de setembro, a “nomeação de uma comissão administrativa” e a “refiliação de todos os verdadeiros militantes”, numa carta dirigida ao secretário-geral do PS, apresentada hoje numa conferência de imprensa na sede da federação de Coimbra, onde estiveram presentes.

Os casos denunciados por Cristina Martins incluíam inscrições de militantes em 2011 com “moradas que não existem”, “moradas erradas” e “duplas filiações”. A ex-militante chegou mesmo a mostrar em conferência de imprensa as fichas de cerca de 50 militantes assinadas por Pedro Coimbra, como vice-presidente da federação, “quando não existia esse cargo”, e como proponentes Pedro Coimbra, que é atualmente o presidente da distrital, e por Rui Duarte, presidente da concelhia do PS.