Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

Um recluso na prisão do Arizona, nos Estados Unidos, condenado à pena de morte por injeção letal teve de esperar duas horas “arfando” para que a injeção fizesse efeito e a execução estivesse concluída, noticia a Reuters. Este caso traz novos protestos às condenações com pena de morte e à utilização de drogas experimentais nas injeções letais.

Joseph Wood foi condenado por duplo homícido e teria de enfrentar a morte por injeção letal esta quarta-feira. A execução teve início às 13h52 hora local (21h52 em Lisboa), mas sem se manifestar o efeito esperado – a morte do condenado – os advogados interpuseram, sem sucesso, um pedido para que a execução fosse cancelada e Joseph Wood tratado. Os advogados alegam que o direito de ser executado sem sofrimento cruel e sem punição fora do vulgar não foi respeitado.

O governador do Arizona, Jan Brewer, mostrou alguma preocupação com o tempo que demorou a execução, mas acrescentou que a justiça tinha sido feita. “Uma coisa é certa, o prisioneiro Wood morreu de forma legal e segundo as testemunhas oculares e registo médico, não sofreu.” Em comunicado, o governador lembrou ainda o sofrimento que Joseph Wood infligiu às vítimas e à família destas.

O director do Departamento de Correção do Arizona, Charles Ryan, confirma que o protocolo foi seguido e que o preso estava “profundamento sedado” antes da injeção letal. O roncos eram, segundo Charles Ryan, o ressonar do prisioneiro adormecido. Michael Kiefer, jornalista no Arizona Republic, diz que o condenado respirava ofegante – contou 660 tentativas para respirar.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

A droga utilizada para a execução era uma mistura experimental de midazolam e hidromorfona, refere o Guardian, a mesma testada em Dennis McGuire sem os resultados esperados. Este recluso foi executado em janeiro no Ohio e teve 25 minutos com convulsões e dificuldade em respirar antes de morrer. A mistura sedativo-analgésico desta injeção estava a ser usada pela primeira vez nos Estados Unidos.

O medicamento midazolam também foi usado em abril, na injeção letal de Clayton Lockett no Oklahoma. A execução foi interrompida depois da agulha da injeção ter saído do sítio enquanto o recluso se contorcia com dores. O condenado acabou por morrer de ataque cardíaco meia hora depois (45 minutos depois da injeção letal).

Este ano sete estados norte-americanos realizaram execuções – Arizona, Flórida, Geórgia, Missouri, Ohio, Oklahoma e Texas – e todos mantiveram sigilo sobre as drogas utilizadas na execução. As prisões norte-americana estão a testar novas drogas nas execuções depois dos fornecedores europeus terem deixado de fornecer as drogas normalmente utilizadas em protesto contra as práticas de pena de morte, refere o Guardian.