O Corpo de Intervenção da PSP vai redobrar as atenções em relação aos encontros de jovens convocados pelas redes sociais, que instalaram o caos na zona do Vasco da Gama e do Parque das Nações na quarta-feira à noite, avança a imprensa desta manhã. Também as equipas da Escola Segura da PSP vão ficar em alerta. Os ‘meets’ já eram conhecidos da polícia na área da Grande Lisboa mas nunca antes tinham levantado preocupações junto das autoridades.

“A PSP não se preocupava com estas concentrações de jovens porque decorriam sem incidentes. A partir de agora, a polícia vai estar mais atenta e a vigiar de perto estes meets”, disse ao Diário de Notícias o porta-voz do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP, Rui Costa. Há cerca de um mês, segundo o comissário, houve um outro encontro semelhante, também no Parque das Nações, em que terão participado ainda mais jovens – cerca de mil. Mas o encontro, que é visto dentro dos grupos de adolescentes como uma forma natural de convívio, “não evoluiu para desacatos”, confirmou ao jornal i.

Mas depois do susto criado no centro comercial Vasco da Gama na quarta-feira à noite, com um grupo de 600 jovens a reunir-se na zona do Parque das Nações, e “cerca de 150 a entrarem no Vasco da Gama em bandos”, segundo descreveu o comissário ao DN, “terá de haver uma mudança” na forma de as autoridades lidarem com o fenómeno. Os ‘meets’ devem ser analisados “do ponto de vista sociológico e policial”, diz Rui Costa,  acrescentando que a polícia se vai “antecipar em casos futuros” e “prevenir situações de conflito“.

Para isso, a PSP vai apostar numa maior vigilância e monitorização das redes sociais, e admite mesmo que possa destacar alguns agentes para assegurar uma vigilância “discreta” durante os próximos encontros, já previstos para as próximas semanas. “Os encontros de grupos são legais e não podemos pôr os nossos meios todos num local onde sabemos que vai haver um eventos desses sem haver necessidade”, disse o comissário Rui Costa ao  DN.

O encontro do Vasco Gama juntou cerca de 600 jovens nas redondezas, vindos de zonas como Amadora, Rio de Mouro, Bobadela, Catuja, segundo conta o Público, e terminou com quatro detenções. Na origem dos desacatos diz-se ter estado um desentendimento entre dois grupos rivais. Vários foram os lojistas que, assustados, fecharam as portas, mas o diretor do centro comercial, Pedro Bandeira Pinto, atenua o discurso dizendo que não houve “vandalismo ou furtos” dentro do estabelecimento.  Detenções foram todas feitas no exterior.

“É preciso dizer que o que se passou na quarta-feira não foram 600 jovens a entrar no centro comercial. Dos 600 que compareceram ao encontro, cerca de 150 entraram no Vasco da Gama em bandos. Desses, um número ainda mais reduzido criou os conflitos. Num centro cheio, 30 a 40 pessoas a correr lá dentro e a entrar e a sair das lojas já e o suficiente para assustar as pessoas”, sublinhou o comissário Rui Costa ao DN.

Nas redes sociais, os jovens reagiram com indignação à intervenção da polícia, com muitos a acusarem as autoridades de racismo, já que a maioria dos participantes naquele ‘meet’ era de origem africana.

De acordo com o i, já estão previstos novos encontros para as próximas semanas, no Vasco da Gama, no Dolce Vita da Amadora, no Terreiro do Paço e no Parque dos Poetas, em Oeiras.

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