As gravações das cinco conversas telefónicas e das 26 mensagens de telemóvel entre José Sócrates e Armando Vara foram destruídas esta segunda-feira no Tribunal de Aveiro, avançou o Público. A destruição das gravações começou pelas 14hoo no gabinete do juiz-presidente Raul Cordeiro, que recorreu a um “x-acto, uma tesoura e um alicate”, disse Paulo Brandão, juiz presidente da Comarca de Aveiro, citado pelo jornal.

As conversas e mensagens estão gravadas em oito DVD que incluem escutas a outros arguidos que serão guardadas, explicou Paulo Brandão ao Público. Estas gravações entre o antigo primeiro-ministro e Armando Vara não foram destruídas quando, em 2010, Noronha Nascimento, então presidente do Supremo Tribunal de Justiça, decretou a nulidade e destruição das escutas a José Sócrates. Pinto Monteiro, na altura procurador-geral da República, havia considerado que o conteúdo das 11 conversas intercetadas entre Sócrates e o antigo ministro era pessoal e não tinha relevância criminal. No entanto, o procurador João Marques Vidal tinha uma posição contrária, considerando que o conteúdo indiciava um crime de atentado ao Estado de Direito. Em causa estaria uma tentativa de controlo da comunicação social.

Como lembra o Público, quando o processo foi para Lisboa, detetou-se que havia ainda gravações por destruir, tratando-se de gravações duplicadas. Foi nessa altura que Carlos Alexandre, juiz do Tribunal Central de Instrução Criminal de Lisboa, recusou destruir as escutas, decidindo notificar os arguidos. Armando Vara e Paulo Penedos disseram que as escutas seriam importantes para a sua defesa.

Quando o processo regressou a Aveiro para julgamento, as escutas mantinham-se no cofre do Tribunal, tendo os juízes recusado o pedido dos arguidos para que as escutas não fossem destruídas. Apesar disto, a destruição das gravações aconteceu apenas depois da leitura do acórdão, na sexta-feira.