O Bloco de Esquerda pediu explicitamente para o projeto de resolução do PCP, apresentado esta quarta-feira no Parlamento, ser dividido em três pontos, para poderem ser votados separadamente. De um lado, a renegociação da dívida, de outro a nacionalização da banca e do outro a preparação da saída do euro. Votou favoravelmente nos dois primeiros, mas absteve-se no último.

O projeto de resolução do Partido Comunista, intitulado “Renegociar a dívida, preparar o país para a saída do euro e retomar o controlo público da banca para abrir caminho a uma política soberana de desenvolvimento nacional”, foi esta quarta-feira chumbado no Parlamento, com os votos contra do PSD, CDS e PS. O Bloco de Esquerda votou ao lado do PCP e do partido ecologista Os Verdes nos pontos relativos à renegociação e ao controlo público da banca, mas absteve-se no ponto da “preparação para a saída do euro”.

A saída do euro só mereceu votos a favor do PCP, autor da proposta, e d’ Os Verdes.

O Bloco tem-se mostrado favorável à saída do euro, e ainda na moção que a direção do partido apresentou no final de setembro à IX Convenção do BE, estava patente essa ideia. “Exclusão de alianças com forças políticas que não rejeitem o Tratado Orçamental e as atuais diretrizes da União Europeia, defesa da nacionalização da banca e da saída da NATO e a possibilidade de uma saída do euro”, foram algumas das posições expressas no documento da moção, que é subscrita pelos atuais coordenadores João Semedo e Catarina Martins, mas também por nomes fortes do partido como Francisco Louçã, Fernando Rosas, Mário Tomé, Mariana Mortágua e Marisa Matias.

Pedro Filipe Soares, líder da bancada parlamentar do BE, não assinou essa moção, tendo mesmo desafiado a atual coordenação e apresentado uma candidatura à liderança, numa moção subscrita pela ala da Esquerda Alternativa (originária da UDP), que tem divergências com a tendência ‘socialismo’, afeta à atual coordenação do partido.

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Sobre a renegociação da dívida, ponto que o Bloco de Esquerda votou a favor no projeto do PCP, os bloquistas vão apresentar no próximo dia 22, para discussão no Parlamento, um outro projeto de resolução baseado na petição do ‘Manifesto dos 74’, tornada pública em março, e que mereceu a adesão de ex-ministros como João Cravinho, Manuela Ferreira Leite e Bagão Félix ou do ex-dirigente do Bloco de Esquerda Francisco Louçã. Nessa petição, assinada por 74 personalidades de vários quadrantes, defendia-se “o abaixamento significativo da taxa média de juro do ‘stock’ da dívida, a extensão de maturidades da divida para quarenta ou mais anos” e “a reestruturação, pelo menos, de divida acima dos 60% do PIB, tendo na base a divida oficial”.