A livraria Lello vai receber o primeiro Encontro Livreiro do Porto e Grande Porto, no próximo dia 23, naquilo que o anfitrião, Antero Braga, descreveu como uma reunião dos “verdadeiros resistentes” independentes.

O responsável da livraria Lello sublinhou que “os livreiros independentes têm condições sempre inferiores aos grandes grupos” e realçou a questão da “luta contra o ‘clube dos dois’”, designação que utilizou para se referir às “posições dominantes” de duas empresas do setor: LeYa e Porto Editora.

O primeiro Encontro Livreiro do Porto e do Grande Porto “vai ter momentos de cultura, poesia, dança e discussão cultural não só do que se passa ao nível do livro”, disse Antero Braga, que se mostrou “muito orgulhoso” em ser anfitrião do encontro que envolve também a Poetria, a Imprensa Nacional – Casa da Moeda, Lumière, João Soares e Manuel Ferreira.

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“Um encontro que se quer também de partilha de experiências, histórias e troca de informações sobre as contingências da nossa profissão, a nível do mercado, dos agentes e instituições culturais, dos leitores, presentes e futuros. e tudo o mais que tenha a ver com os livros, numa perspetiva de superação da crise pela positiva e não pelo queixume ou desistência”, pode ler-se na mensagem de divulgação do evento que também vai receber participantes de fora da região.

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Da parte da Poetria, Dina Ferreira recordou que os encontros nacionais, que se continuam a realizar na livraria Culsete, em Setúbal, surgiram da iniciativa de Manuel Medeiros, com o objetivo de “criar mais coesão entre os livreiros”, trocar experiências, saberes e debater os problemas da área.

“Não vamos fazer grandes intervenções de cariz intelectual”, disse Dina Ferreira, que acrescentou que se procura que seja um encontro também “de amizade”. A ideia é dialogar no sentido de “arranjar alternativas e sugestões” para que os livreiros estejam “mais aptos a servir os clientes a partir da entreajuda”.

Como referiu Antero Braga, “os verdadeiros livreiros não dizem ‘não há’” e seguem a norma de que “é proibido proibir”, pelo que “acaba-se com o livreiro e acaba-se com os livros”.