Fernando de Mascarenhas, presidente da Fundação das Casas de Fronteira e Alorna, morreu esta quarta-feira em Lisboa, anunciou a instituição. Tinha 69 anos.

Fernando José Fernandes Costa de Mascarenhas nasceu em Lisboa a 15 de abril de 1945. Era o 12º marquês de Fronteira, 10º marquês de Alorna e 13º conde da Torre. Licenciado em Filosofia pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, lecionou na Universidade de Évora durante oito anos. Conhecido pelo título de marquês de Fronteira, Fernando de Mascarenhas, numa entrevista à Lusa na década de 1990, sublinhou: “Os privilégios trazem consigo responsabilidades”.

Fernando de Mascarenhas foi um opositor ao regime de ditadura, anterior ao 25 de abril de 1974, tendo sido conhecido como “marquês vermelho”.

Em 1989, instituiu a Fundação das Casa de Fronteira e Alorna com fins culturais, científicos e educativos. Desde então, no âmbito da Fundação, realizou regularmente iniciativas ligadas à literatura, à arte e à música, tanto no palácio de século XVII em S. Domingos de Benfica em Lisboa, como no espaço em Ponte de Sor e na Herdade da Torre de 7.900 hectares, em Torre das Vagens, no distrito de Portalegre.

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Fernando de Mascarenhas foi um opositor ao regime de ditadura, anterior ao 25 de abril de 1974, tendo sido conhecido como “marquês vermelho”. No seu palácio, em S. Domingos de Benfica, realizaram-se várias reuniões de oposicionistas. Na entrevista à Lusa afirmou-se como “um liberal de esquerda”, “homem avidamente interessado na cultura” e um cidadão do mundo. Viajar era, aliás, umas das suas paixões, como afirmou.

Fernando de Mascarenhas abre o Sermão escreveu: “Sê primeiro um homem e, depois, só depois, mas logo depois, um aristocrata”.

Nos últimos quatro anos, Fernando de Mascarenhas desenvolveu como hóbi o interesse pela manufatura de joias em prata e pedras semipreciosas, tendo realizado algumas exposições no palácio. Em 1994, publicou Sermão ao meu Sucessor — Notas para uma Ética da Sobrevivência, que apresentou na sala das batalhas do palácio. Fernando de Mascarenhas abre o Sermão com a frase: “Sê primeiro um homem e, depois, só depois, mas logo depois, um aristocrata”.

Casado duas vezes, impossibilitado de ter filhos devido a “um problema endócrino” detetado aos 14 anos, como revelou numa entrevista, designou como sucessor seu “primo António, aquele que a transição nobre determina”.

Velório de Fernando de Mascarenhas realiza-se esta quarta-feira na sala das batalhas do palácio de Fronteira, em São Domingos de Benfica, em Lisboa.

“Quando nasceu, já sabia que seria o meu sucessor. Não é tê-lo escolhido. É prestar-lhe uma atenção particular por isso. Não tenho uma relação muito próxima, exatamente porque não é meu filho. Gosto muito do António, acho que ele gosta de mim, mas os pais são os pais. Tenho muito pudor em entrar pelas pessoas adentro, sobretudo se a relação não for de igualdade”, afirmou Fernando de Mascarenhas. Nessa mesma entrevista confessa-se “narcisista” e eleitor de ficção científica.

O velório de Fernando de Mascarenhas realiza-se esta quarta-feira na sala das batalhas do palácio de Fronteira, em São Domingos de Benfica, em Lisboa, e o funeral realizar-se-á na quinta-feira à tarde, juntamente com a cerimónia de cremação, disse à Lusa fonte da Fundação sem acrescentar pormenores.