A teoria não é nova e chegou a ser defendida ainda no século XVI. Um teólogo britânico volta, agora, a recordá-la num blogue: Jesus não nasceu num estábulo por não haver lugar na estalagem, mas nasceu no piso inferior de uma casa de campo onde eram guardados animais. O mal-entendido prender-se-á com a tradução da palavra grega “kataluma”, a mesma utilizada na Bíblia para descrever o local onde Jesus Cristo terá feito a sua última ceia com os apóstolos.

A teoria do Reverendo Ian Paul foi publicada num blogue e depois noticiada pelo The Guardian:

“Desculpem estragar os vossos preparativos de Natal ainda antes de se apagarem as luzes de Natal. Mas, Jesus não nasceu num estábulo e, curiosamente, o Novo Testamento nem sequer o sugere”, escreve.

Ian Paul argumenta que a palavra grega “kataluma”, normalmente traduzida para estalagem, era de facto usada para descrever uma sala de estar de uma casa particular – aliás, “kataluma” é também o termo usado para descrever o local onde Jesus e os seus discípulos tomaram a sua última ceia. Mas estalagem em grego não é “kataluma”, mas sim “pandocheion”.

Mesmo que houvesse uma estalagem em Belém, Paul defende que José e Maria não teriam pernoitado por lá. Isto porque os dois terão viajado para aquele destino por terem ali família. Assim, a “kataluma”, onde o casal ficou seria uma sala para os convidados numa casa de família.

“O desenho das atuais casas palestinianas aponta nesse sentido. A maior parte das famílias vive numa casa de uma só divisão, com um compartimento para os animais que possam ser trazidos durante a noite, um quarto nas traseiras para a visitas ou um espaço no telhado. A sala de estar da família tinha, normalmente, palha no chão para que os animais se alimentassem”, diz o reverendo.

E por isso, Jesus não terá nascido num estábulo, mas na piso inferior de uma casa de família onde eram guardados animais. Não é a primeira vez que esta interpretação é feita. Em 1584, um estudioso espanhol de nome, Francisco Sánchez de las Brozas, defendeu exatamente a mesma teoria. Foi perseguido pela Inquisição.

Também não é a primeira vez que Ian Paul defende a teoria de que há um erro de tradução na Bíblia. A sua publicação no blogue é uma reposição do que já tinha escrito em 2013.