Um grupo de estudantes da Universidade do Porto vai enviar uma experiência para Marte. O concurso lançado pela fundação sem fins lucrativos Mars One deixou a equipa portuguesa entre os 10 finalistas no início de dezembro e o público ditou a vitória do projeto Seed – que pretende ver como se desenvolvem as sementes das plantas num ambiente controlado em Marte. Os resultados foram conhecidos esta segunda-feira.

“De forma geral estamos muito satisfeitos com a elevada qualidade das propostas universitárias e com o esforço associado para as preparar”, referiu em comunicado de imprensa Arno Wielders, cofundador da Mars One. “Seed é em si mesmo especialmente inspirador visto que será a primeira vez que uma planta vai crescer em Marte.”

O objetivo da Mars One é estabelecer um acampamento humano permanente em Marte. Até que possa enviar humanos para o espaço, a fundação holandesa espera tornar o acampamento habitável enviando material diverso, incluindo um lander (equipamento para permanecer fixo na superfície do planeta) com várias experiências em 2018 – entre elas a vencedora do concurso Mars One University Competition.

O projeto Seed terá de enfrentar agora várias fases de preparação e validação da experiência. “Por exemplo, proteção planetária. É preciso garantir que o que vai ser enviado não contamina o espaço”, explica ao Observador Daniel Carvalho, Mestrado Integrado em Bioengenharia da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) e do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS). Mas até lá a equipa também terá de conseguir angariar todo o dinheiro necessário para montar a experiência. “Serão mais de 100 mil euros, mas pode chegar a um milhão. Ainda não sabemos.”

“As sementes vão congeladas dentro de um sistema fechado (do tamanho de uma caixa de sapatos)”, diz Daniel Carvalho. “Quando o lander aterrar ativa os painéis solares que vão ligar o sistema de rega e fornecer algum calor para as sementes germinarem.” O acompanhamento do crescimento das plantas será feito por fotografias que serão regularmente enviadas para Terra.

A equipa do Seed é composta por quatro colegas do mesmo mestrado – Daniel Carvalho, Guilherme Aresta, Miguel Ferreira e Teresa Araújo. Os três alunos e Raquel Almeida, estudante de doutoramento na Universidade do Minho, que também participa neste projeto, já tinham estado envolvidos noutra experiência espacial – foram os primeiros portugueses a “pôr uma experiência em rotação”, com o projeto AngioGravity que pretendia perceber como a hipergravidade afeta a formação dos vasos sanguíneos.

O Seed conta ainda com a colaboração Miguel Valbuena, estudante de doutoramento no Centro de Investigações Biológicas, em Madrid, Helena Carvalho, investigadora do Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC), e Jack van Loon, professor de ciências gravitacionais na Universidade de Amesterdão e investigador na Agência Espacial Europeia (ESA).