“A religião, uma forma medieval de irracionalidade, quando combinada com armamento moderno torna-se numa ameaça real para as nossas liberdades”. É assim que começa a curta declaração do escritor Salman Rushdie, publicada no Wall Street Journal, a propósito do que aconteceu esta quarta-feira de manhã, 7 de janeiro, quando três homens armados entraram na redação do jornal satírico Charlie Hebdo, em Paris, França, e causaram a morte a, pelo menos, 12 pessoas.

“Este totalitarismo religioso causou uma mutação mortal no coração do Islão e vemos hoje as consequências trágicas em Paris. Eu estou com Charlie Hebdo, como todos devemos estar, para defender a arte da sátira, que tem sido sempre uma força pela liberdade e contra a tirania, desonestidade e estupidez”, continuou. “‘Respeito pela religião’ tornou-se numa frase de código que significa ‘medo da religião’. Religiões, como todas as outras ideias, merecem criticismo, sátiras e, sim, o nosso destemido desrespeito”.

Salman Rushdie é o autor de Os Versículos Satânicos”, obra pela qual foi obrigado a viver na clandestinidade depois de o ayatolah Khomeini, líder do Irão, o ter considerado blasfemo e lançado uma fatwa contra o escritor. Por fatwa entenda-se pena de morte. O livro editado em 1988 foi proibido em diversos países.