“A comédia não devia ser um ato de coragem”. Foi assim que Jon Stewart, considerado um dos mais importantes nomes da comédia mundial, homenageou ontem no seu Daily Show as vítimas do ataque ao Charlie Hebdo. Sentado, de cotovelos apoiados na mesa, no início o discurso que não fluía era interrompido pelas gargalhadas dos espetadores.

Começou assim a  homenagem: “Acho que todos concordamos que 2014 não foi um ano bom para… as pessoas. A esperança era que 2015 nos trouxesse algum descanso dos terríveis eventos que aconteceram.”

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Stewart entrou em 2015 com a apresentação do filme Rosewater – Uma esperança de liberdade, a história de um jornalista que cobre as eleições sírias e acaba sequestrado. O filme pretende ser um alerta para os perigos que os jornalistas enfrentam. Contudo, o apresentador não esperava que os jornalistas de um jornal satírico também os enfrentassem.

“Eu conheço poucas pessoas que entrem na comédia como um ato de coragem, principalmente porque não o devia ser. Não devia ser um ato de coragem, devia ser tomado como uma lei estabelecida. Mas aqueles tipos do Hebdo tinham-na e foram mortos pelos seus cartoons.”

Stewart lembrou ainda que os jornalistas não são o “inimigo”, que não consegue explicar e encontrar uma resposta para o que aconteceu. E, por isso, ele e a equipa passaram o dia “em choque e em luto, mas também a pensar no que se faria num programa como este”.

Mas concluiu que conseguiram “a história” para o momento: “Combina a dificuldade da sociedade se ver livre deste tipo de ideologias tóxicas e persistentes com uma criatura que tem quatro estômagos.” A história escolhida era a de uma vaca, criada por Nazis, que foi morta depois de tentar matar o dono.