Durante mais de dois mil anos, Tutankhamon sobreviveu intacto à passagem do tempo. O seu túmulo, escondido sob o Vale dos Reis, conseguiu resistir às tentativas de pilhagem e à força dos elementos — a tudo, menos à negligência das autoridades egípcias. O ano passado, durante um restauro “amador”, a famosa máscara mortuária de Tutankhamon foi danificada — e colada com super-cola.

O incidente ocorreu durante os trabalhos de manutenção do complexo do faraó e foi denunciado pelo grupo de conservadores do Museu de Antiguidades do Cairo, refere o El Mundo. De acordo com um dos trabalhadores do museu, a máscara foi danificada enquanto era mudada uma lâmpada. “Seguraram a máscara de forma errada e partiram a barba”, referiu, citado pelo Guardian.

A equipa a cargo dos trabalhos decidiu então esconder o sucedido e evitar os procedimentos habituais, que passam por informar o Ministério das Antiguidades e entregar a peça a uma equipa de restauradores. Segundo o El Mundo, perante o incidente, a responsável pela manutenção decidiu chamar o marido, que resolveu que a melhor solução era juntar as duas peças com super-cola. “Tentaram arranjá-la durante a noite com o material errado, mas não foi fixada da forma certa e por isso, no dia seguinte, tentaram fixá-la outra vez”, disse o mesmo trabalhador. Depois de seca, tentaram raspar a cola da máscara com uma espátula, mas acabaram por riscá-la.

De acordo com o jornal árabe Al Araby Al Jadeed, citado pelo Huffington Post, a luz da sala onde está exposta a máscara é agora menos intensa, de modo a esconder o defeito. Apesar disso, um dos restauradores explicou que é possível ver uma substância transparente, de cor amarela, em torno da barba. Mahmoud el-Halwagi, diretor do museu, desmentiu o sucedido, mas confirmou à BBC que de facto apareceu um material translúcido na peça. Elham Abdelrahman, diretor do departamento de conservação, frisou que a máscara nunca foi partida e que a barba nunca caiu. O caso está atualmente a ser investigado pelo Ministério das Antiguidades.