Portugal vai enviar um laboratório para despiste de casos suspeitos de Ébola para a Guiné-Bissau nas próximas semanas, disse à agência Lusa o embaixador português na capital guineense, António Leão Rocha. “O laboratório servirá para despistagem, caso haja algum caso suspeito, e haverá equipas médicas e de logística, em rotação, para o gerir e dar formação” aos profissionais guineenses, referiu. em entrevista à Lusa.

Apesar de afetar países vizinhos, o surto de Ébola que há cerca de um ano eclodiu na África Ocidental não chegou à Guiné-Bissau, país onde vivem entre seis a sete mil portugueses e que mantém trânsito semanal de pessoas e bens com Portugal.

O vírus continua afastado, mas há fragilidades, como a falta de um laboratório para análises ao sangue de pessoas suspeitas de estarem infetadas: se um dia for necessário avaliar um caso desta forma (o que ainda não aconteceu), as amostras têm que ser enviadas para Dacar, capital do Senegal.

Neste cenário, a demora na obtenção de resultados pode comprometer a contenção do vírus.

Perante o contexto, Portugal assumiu o compromisso de disponibilizar uma parcela de 200 mil euros para combate ao Ébola a entregar à Organização Mundial de Saúde (OMS) e atribuir outra fatia de 550 mil euros para aquisição e instalação de um laboratório e mobilização das respetivas equipas médicas, explicou o embaixador de Portugal em Bissau.

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Um anúncio preliminar foi feito pelo governo português em dezembro, só faltava saber os detalhes e a data de chegada, que está prevista para fevereiro, acrescentou.

As primeiras equipas estão prontas, mas a aquisição do laboratório “levou um pouco mais de tempo do que esperávamos”.

A unidade vai ficar instalada na capital e vai ser gerida por equipas em rotação de médicos portugueses e equipas de logística.

“Vão gerir e dar formação” a profissionais de saúde guineenses, “até que já não seja necessário enviar mais grupos de Portugal”, referiu António Leão Rocha.

Desde o início do surto de Ébola na África Ocidental, há cerca de um ano, já morreram perto de 8.500 pessoas, essencialmente na Serra Leoa, Libéria e Guiné-Conacri.

Nos três países, o número de infetados já ultrapassou os 20.000, segundo números da OMS.

Apesar do perfil assustador do vírus e da relativa proximidade com as zonas afetadas, o embaixador de Portugal na Guiné-Bissau disse à Lusa que se sente seguro na capital do país lusófono.

“Confesso que sim, que me sinto seguro. E as autoridades estão hoje mais bem preparadas se for preciso enfrentar o vírus Ébola”, concluiu.