A oposição interna no PS não gostou da alteração estatutária aprovada este sábado e que introduz a realização de eleições primárias no partido para cargos como deputados ou autarcas de forma facultativa. Na reunião, Álvaro Beleza criticou a alteração por saber a pouco. Agora, é outro segurista que se insurge contra a medida, mas por considerar que, em vez de ser um passo em frente, representa um passo atrás.

O ex-deputado do PS e ex-dirigente, António Galamba, acredita que “os estatutos [aprovados por] António Costa eliminam direitos dos militantes e reduzem a democracia”. Ou seja, escreveu o segurista no Facebook, “o aparelho sai reforçado, os socialistas saem a perder”. Galamba lembra a herança de António José Seguro, que há três anos conseguiu fazer aprovar “as diretas para a designação dos candidatos a deputados e a presidentes de câmara”.

Marcos Perestrello, apoiante de Costa, desdramatiza a alteração estatutária e a acusação de Galamba, considerando que havia “um erro grosseiro” nos estatutos que Seguro levou a aprovação em 2012 que introduziram a possibilidade de eleições diretas. “Isso não existe. Há uma confusão nas críticas. Confundem o universo dos eleitores e a natureza dos cargos”, explicou ao Observador. Ou seja, para se fazer uma escolha de candidatos há “uma primeira escolha”, logo são “eleições primárias” e não eleições diretas, que frisa, nunca se realizaram apesar de estarem nos estatutos.

Com a alteração dos estatutos, escreveu Galamba, “o PS recuou e reforçou os poderes das estruturas federativas e concelhias. Os militantes deixaram de poder ter voz ativa na escolha dos candidatos do PS a presidentes de câmara e a deputados”.

“Os eleitos nos órgãos por outros projetos políticos diferentes dos maioritários deixaram de poder ter capacidade de intervenção na escolha dos candidatos a deputados. (…) Perdeu-se pluralismo. Passados quatro meses, o PS é hoje um partido mais fechado: as diretas acabaram e as primárias só se realizarão se for essa a vontade do secretário-geral. (…) Em vez de se abrir, o atual PS está a fechar-se sobre si próprio. Ao contrário do que foi dito, não há mais democracia quando os militantes perdem direitos e as mesas dos órgãos nacionais, ao invés do que acontecia, são constituídas de forma monolítica, só com apoiantes do secretário-geral“.

A comissão nacional do PS aprovou no fim de semana a possibilidade de os cargos políticos públicos disputados pelo partido, como autarcas e deputados, serem escolhidos através de eleições primárias abertas a simpatizantes. Mas, por enquanto, é só uma possibilidade. Nada é obrigatório para já. Para Álvaro Beleza, que é um dos maiores defensores da medida inicialmente proposta por José António Seguro, a decisão ficou aquém das expectativas: “Não se deu um passo definitivo em frente”.

 

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