O livro está nas bancas desde setembro, mas só nesta quarta-feira é feito o lançamento oficial. São várias fotografias, todas a preto e branco, ilustradas com entrevistas que pretendem mostrar aquele que foi “um período terrível da história recente da América do Sul”, a Operação Condor, explica João Pina ao Observador. Aquela operação, lançada por iniciativa do Chile durante a ditadura de Augusto Pinochet, envolveu o Brasil, Argentina, Chile, Bolívia, Paraguai e Uruguai, com a colaboração dos serviços secretos norte-americanos, e foi concretizada durante os anos 1970 e 1980. Objetivo? Combater e reprimir a oposição aos regimes ditatoriais que vigoravam nas nações envolvidas.

O fotojornalista “já tinha as antenas abertas” para o tema, por viver em Buenos Aires, mas foi há nove anos que começou a procurar mais informação nas “fontes oficiais”. Oficialmente sabia-se apenas que a operação Condor foi levada a cabo por seis países da América Latina aliados aos Estados Unidos da América e cujo objetivo era o de eliminar as células da OLAS, criada por Fidel Castro.

Nove anos depois, com viagens pela Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Paraguai e Uruguai, João Pina descobriu “falta de informação”, falou com “vítimas que não têm esse estatuto porque o Estado lhes nega por não investigar” e uma “forma difícil de lidar com a história recente”. Durante este tempo, João Pina entrou em todo o lado, falou com muita gente sem ser “particularmente difícil”, à exceção da Argentina onde demorou dois anos a conseguir uma autorização judicial para entrar no ESMA, um dos maiores campos de concentração da América Latina.

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Está agora reunida em livro essa experiência, que pretende fazer o elo de ligação entre a “pouca informação que havia no plano concreto” e a cara daqueles que sofreram num período que ceifou a vida a 60 mil pessoas.

Aos 35 anos, este é o segundo livro do fotojornalista que já tem vários prémios – entre eles uma distinção no festival de Cannes – e que colabora com jornais como o New York Times ou revistas como a New Yorker. O lançamento é às 17h, na Fundação Calouste Gulbenkian, e conta com intervenções do autor, de António Araújo e de Abel Córdoba, o procurador de justiça envolvido nos crimes contra a humanidade na Argentina.