“Será possível viver sem Química?” Com esta interrogação começa mais um dia dos Laboratórios Abertos no Departamento de Química do Instituto Superior Técnico, em Lisboa. A Química marca presença na pasta de dentes, medicamentos, embalagens dos alimentos, tintas da parede, e tantas outras coisas que nos rodeiam e usamos regularmente. Mas também na bolacha que vai ao forno, com o fermento a faz crescer ou o calor que a ajuda a tostar.

Com exemplos do dia a dia, o grupo de investigadoras pretende entusiasmar os jovens com a ciência e cativá-los a seguir um dos cursos lecionados no departamento. Mas a melhor parte ainda está para vir – seis módulos de experiências relacionadas com química orgânica, química inorgânica e materiais, apresentados de uma forma divertida por alunos da própria instituição.

Se até até 2010, os Laboratórios Abertos dedicavam uma semana aos alunos de secundário, desde aí que o programa foi estendido a duas semanas – em 2015, de 2 a 13 de fevereiro – para incluir também os alunos do terceiro ciclo e, pela primeira vez este ano, os alunos do terceiro ano do ensino básico. O evento de 2015 pretendeu chegar a cerca de 2.500 alunos dos vários anos de escolaridade.

E a Química iluminou a escuridão

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A Química está presente até quando nos vamos divertir. As pulseiras fluorescentes usadas nos concertos de música e “glow parties” (“festas brilhantes”) brilham devido a uma reação química, quando a água oxigenada se mistura com os restantes reagentes. Além dos materiais festivos, estes “glow sticks” (“vareta brilhante”) podem ser usados como iscos na pesca ou como sinalizadores nos resgates de emergência.

Entre os compostos que brilham no escuro, ou melhor dizendo na presença de luz ultravioleta, estão também produtos como o corante do açafrão das índias ou a água tónica. Esta luz permite também identificar as marcas fluorescentes nos documentos e dinheiro de papel para identificar quais são verdadeiros.

Azoto – um gás em estado líquido

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Como é que se consegue que o azoto, conhecido por ser um dos gases presentes na atmosfera, fique no estado líquido dentro de um frasco? Arrefecendo-o no mínimo a 196º C negativos. Uns graus a menos, a 210º C negativos, e o azoto congela.

O azoto líquido é usado na criopreservação – preservação de células vivas, como as células estaminais ou os embriões – porque arrefece o material rapidamente sem permitir a rutura das membranas celulares, que acontece com a congelação normal.

Quando algo é colocado em azoto líquido congela, mas quando este é exposto à temperatura ambiente evapora. As mudanças de estado são bem aproveitadas para uns momentos cientificamente divertidos.

Pintar um quadro em tons de caril

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Dos produtos naturais, sobretudo das plantas podem retirar-se aromas e cores, como o linalol ou o eucaliptol – óleos essenciais com propriedades medicinais extraídos da alfazema e eucalipto, respetivamente -, e a betamina (vermelha) da beterraba ou a curcumina (amarela) do açafrão das índias.

Os corantes naturais podem usar-se como corantes alimentares, mas existem outros que podem ser fabricados artificialmente, como a eosina, um corante vermelho que pode ser usado como corante biológico, nas técnicas de microscopia, ou para fabricar a tinta vermelha das impressoras, e ainda na tinta das tatuagens vermelhas ou nos selos.

Maizena, limões e éter, e um frasco de água a arder

Farinha Maizena misturada com água que tanto se comporta como um líquido como se comporta como um sólido, leite que perde a tensão superficial depois de contactar com detergente ou líquidos com densidades diferentes, são algumas das experiências com produtos do dia-a-dia.

Como caminhar sobre um líquido… que se comporta como um sólido… mas só às vezes – líquido não newtoniano.

Entre os utensílios de uso diário podemos incluir as pilhas. Para fabricarmos uma pilha precisamos de cobre e zinco e uma solução que possa conduzir a corrente elétrica, como água com sal ou sumo de limão. Ligadas alternadamente, as placas de cobre e zinco podem iluminar um LED ou fazer mexer um pequeno motor.

Outros dos materiais muito utilizados é o poliuretano, uma espuma usada no enchimento, de colchões ou volantes, ou no isolamento térmico e acústico, porque é muito leve e porque conduz mal o calor. Esta molécula é um polímero, porque resulta da repetição das moléculas que a compõe, neste caso etilenoglicol e diisocianato.

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