Mais de duas mil pessoas vão processar o jornal japonês Asahi para exigir a publicação de anúncios a pedir desculpa pelas notícias divulgadas sobre as escravas sexuais durante a guerra, por considerarem que mancharam a reputação do Japão. A medida é a última na batalha sobre a história do Japão, que opõe uma direita revisionista, cada vez mais agressiva, a uma opinião pública que aceita a culpa do país nas atrocidades cometidas durante a Segunda Guerra Mundial.

O grupo de queixosos, que inclui cidadãos japoneses residentes nos Estados Unidos, entregou o processo no tribunal distrital de Tóquio na quarta-feira, de acordo com vários jornais nipónicos, incluindo o Asahi. O grupo argumentou que os trabalhos do Asahi sobre as alegadas escravas sexuais (“mulheres de conforto”) foram um instrumento para formar uma opinião pública global de que o Império do Sol Nascente e os militares organizaram um sistema formal de escravatura sexual, durante a Segunda Guerra Mundial.

Os queixosos exigem que o Asahi pague três milhões de ienes (253 mil dólares) em compensações e a publicação de anúncios, nos principais jornais europeus e norte-americanos, a pedir desculpa pela cobertura do caso. No mês passado, cerca de 8.700 pessoas, incluindo deputados conservadores e professores, apresentaram uma queixa semelhante contra o Asahi.

Apesar dos poucos registos oficiais, historiados que investigam o tema afirmam que entre 1932 e o fim da Segunda Guerra Mundial, o Japão obrigou 200 mil mulheres a prostituírem-se nos “bordéis do exército” que Tóquio mantinha nas várias frentes de guerra.

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A explicação oficial para a existência das “mulheres de conforto” ou “mulheres de alívio” era que evitavam que os soldados violassem mulheres das zonas onde estavam estacionados, impediam que os soldados apanhassem doenças sexualmente transmissíveis com prostitutas e minimizavam o risco de espionagem. A maioria destas escravas era oriunda da Coreia, mas também da China, Indonésia, Filipinas e Taiwan.

Na década de 1980, o Asahi publicou uma série de artigos baseados nos testemunhos, atualmente desacreditados, de um japonês que afirmou ter forçado coreanas a trabalhar nos bordéis militares japoneses. Após anos de pressão, o jornal pediu desculpas pelos artigos e o presidente da empresa demitiu-se. O Asahi afirmou que ia responder aos queixosos “de forma apropriada”, quando receber os documentos do tribunal.