Fundos Comunitários

Mais de 50 entidades já pediram ajuda à Creating Health para captar fundos comunitários

O Creating Health abriu ao público há pouco mais de um mês e já reuniu com mais de 50 entidades interessadas em avançar com projetos na área da inovação e da investigação em saúde.

O Creating Health tem como principal objetivo ajudar a captar 80 milhões de euros por via dos fundos comunitários

Getty Images

O Creating Health abriu portas há pouco mais de um mês e a procura pelos seus serviços não tardou. Em média, a equipa do Creating Health tem reunido com duas entidades diferentes por dia, sendo que a maior parte dos contactos chega por parte sobretudo de associações de doentes, universidades, pequenas e médias empresas (PME), hospitais e IPSS.

“Tem havido alguma superação de expectativas no que toca à velocidade da adesão e também por haver projetos que já estão prontos a seguir”, disse ao Observador o fundador e deputado pelo partido social-democrata, Ricardo Baptista Leite, acrescentando que “já houve até projetos submetidos”.

O objetivo do Creating Health é apoiar, na captação de fundos comunitários, as entidades que querem avançar com projetos na área da inovação e investigação em saúde, alterações demográficas e bem-estar. Este serviço propõe-se a, pelo menos, duplicar a captação de financiamento europeu para Portugal.

“O enfoque inicial será na captação de fundos do Programa Quadro de Inovação e Investigação (I&I), da União Europeia, Horizonte 2020, que tem disponível nos próximos cinco anos um orçamento de 80 mil milhões de euros, 7,47 mil milhões afetos à área da saúde, alterações demográficas e bem-estar, áreas nas quais o Creating Health atua”, explicou Ricardo Baptista Leite.

No programa quadro europeu anterior, dos 6,1 mil milhões de euros afetos à área da Saúde, Portugal captou 40 milhões, o que representou um incremento face a anos anteriores, mas muito aquém daquele que acreditamos que pudesse ser possível”, recordou Ricardo Baptista Leite.

E por isso mesmo o objetivo deste gabinete é “pelo menos duplicar a captação de investimento, para os 80 milhões de euros”, rematou.

O também deputado do PSD lembrou, logo de seguida, a dificuldade que Portugal tem tido em captar fundos comunitários para projetos de investigação. “Em Portugal há uma grande dificuldade em obter vias alternativas de financiamento para os projetos, que não sejam privadas. O que acontece hoje é que as instituições tipicamente envolvidas nestes projetos não estão capacitadas com os recursos ou conhecimentos para poderem candidatar-se“, avançou, afirmando que os processos “são muito complexos”, desde a identificação das linhas de financiamento, à barreira da língua, e ao próprio acompanhamento e prazos.

Com uma direção executiva própria, composta por três pessoas – diretora executiva, advogada e administrativa financeira -, o Creating Health está sedeado num gabinete no Instituto de Ciências da Saúde, da Universidade Católica Portuguesa, e diferencia-se, segundo Ricardo Baptista Leite, por ser um “gabinete de base universitária, sem fins lucrativos e de serviço público”, voltado unicamente para a captação de fundos para projetos ligados à saúde, “o que não existia até agora”.

A grande diferença, desde logo, é que ao contrário das consultoras que existem no País, que cobram uma verba logo à cabeça, independentemente do resultado do processo, o Creating Health só pedirá uma contrapartida às entidades que apresentem projetos caso “haja sucesso” na candidatura. Caso a candidatura não seja bem-sucedida o prejuízo é assumido por esta entidade.

O Creating Health é um compromisso público. Caso haja saldo positivo, todo o valor será reinvestido em investigação ou em projetos independentes na área da saúde pública”, garantiu o fundador.

Ricardo Baptista Leite explicou ainda outra das finalidades do Creating Health: “identificar a capacidade instalada no nosso País, instituições ou entidades que possam integrar consórcios internacionais”, identificar essas potenciais parcerias, bem como linhas de financiamento, por exemplo, para projetos com “impacto direto na sociedade”, como projetos na área da saúde pública, de prevenção e diagnóstico precoce de doenças.

O gabinete presta serviços a três níveis, explicou ao Observador o fundador do projeto: pré-candidatura, candidatura e pós-candidatura. E terá uma vigência de, no mínimo, cinco anos, que é a duração do Programa 2020. Sendo uma organização sem fins lucrativos, este gabinete avança graças a 16 patrocinadores, sendo os dois principais o Lusíadas Saúde (parceiro clínico) e a Novo Nordisk (parceiro cooperativo).

O Creating Health, que conta com o apoio institucional do Governo português e da Presidência da República, tem um conselho ético, um conselho consultivo (composto pelos principais patrocinadores) e ainda um conselho social, presidido pelo ex-Presidente da República, Jorge Sampaio, que irá reunir uma vez por ano para “partilha de boas práticas, criação de rede de potenciais parceiros para a criação de consórcios quer nacionais, quer internacionais”.

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