Arte

Academia Contemporânea do Espetáculo muda-se para “escola mais bonita do mundo”

A Academia Contemporânea do Espetáculo vai realizar no sábado uma marcha simbólica entre as atuais instalações e o Palácio do Bolhão, que a direção descreve como “a escola mais bonita do Mundo".

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  • Agência Lusa
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A Academia Contemporânea do Espetáculo, no Porto, vai realizar, no sábado, a “Parada da Mudança”, uma marcha simbólica entre as atuais instalações e o Palácio do Bolhão, que a direção descreve como “a escola mais bonita do mundo”.

Da parte da Academia Contemporânea do Espetáculo (ACE) e da companhia Teatro do Bolhão, António Capelo disse à Lusa que, ao fim de nove anos de obras no Palácio do Bolhão e 2,8 milhões de euros de investimento proveniente de fundos europeus, estatais, camarários e privados, a sensação é de descanso.

“Vamos abrir simbolicamente no Dia Mundial do Teatro e vamos, de alguma maneira, preparar-nos para isso de uma forma mais equilibrada. Vamos abrir e tens este lado desta reta final que é muito cansativa, mas ao mesmo tempo descansas um pouco porque finalmente está feita. Porque muita gente achava que não era possível fazê-lo”, disse António Capelo depois de uma visita guiada ao edifício classificado como Monumento de Interesse Público e agora recuperado.

O espaço abre oficialmente no dia 27 de março, quando vai ser anunciada a programação até junho, e o objetivo é que venha a acolher exposições, espetáculos de música, para além de funcionar como local para mostra de trabalhos de antigos alunos, bem como da programação regular do Teatro do Bolhão e da escola.

“Sendo no coração da cidade [a ideia] é devolver à cidade não só o espaço arquitetónico, mas também uma ideia de cultura e da animação que deve existir nas cidades sejam elas quais forem e o Porto penso que tem todas as características para ter isso”, declarou António Capelo.

O edifício, situado na rua Formosa, perto do Mercado do Bolhão, foi mandado construir no século XIX por António Alves de Sousa Guimarães, barão e depois conde do Bolhão.

“Em 1844 era concedida a António Alves de Sousa Guimarães a aprovação camarária para a construção da sua habitação. Não se conhece o nome do arquiteto e poucas são as informações relativas aos artistas que aqui trabalharam, embora os jornais da época tenham publicado várias crónicas assinadas por Camilo Castelo Branco, frequentador do palácio, e que caracterizam o ambiente da época”, pode ler-se na entrada existente na página da Direção-Geral do Património Cultural.

A propósito do seu primeiro proprietário, António Capelo disse que ainda há quem acredite que o espírito de António Alves de Sousa Guimarães percorre o espaço do palácio, tendo por isso sido feitos vários vídeos a retratar essa narrativa da presença sobrenatural.

Agora, completada que está (ou quase) esta longa etapa, António Capelo disse que vai ser lançado já outro desafio, sem concretizar por enquanto: “Nós não podemos descansar sobre as coisas senão elas apodrecem. É preciso haver um outro desafio. É como se, de desafio em desafio, mantivesses as pessoas ativas. (…) Os projetos não podem morrer com as pessoas, são maiores do que elas”.

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