Na rua chamam-lhe “Morte” ou “Dr. Morte”. PMMA, também conhecida como parametoxianfetamina, preocupa as organizações de saúde. Isto porque circulam pela Europa umas pastilhas rosadas com a letra “S” do logótipo do Super-Homem, que concentra uma dose excessivamente alta de PMMA. De acordo com o diário Abc, as autoridades madrilenas têm apreendido esta substância a rapazes de 15 anos. Na Europa já quatro mortes foram confirmadas.

Os PMMA são anfetaminas modificadas, bastante semelhantes ao MDMA, também conhecido como ectasy. Mas, ao contrário do ectasy, o seu efeito é muito mais lento, o que pode levar o utilizador a pensar que necessita de doses maiores para sentir o efeito. É potente e, em combinação com o álcool ou outras drogas, pode tornar-se fatal.

O principal efeito do PMMA é bloquear a enzima que normalmente equilibra os níveis de serotonina, uma das hormonas do prazer. Quando o consumo é excessivo, o cérebro tem uma overdose de serotonina, sobreaquece seguido de danos vasculares e cerebrais, o que pode provocar a morte.

Outra preocupação das autoridades é ser vendida como se fosse ectasy (MDMA). A droga começou a circular na Holanda, conhecido por ser um dos maiores produtores de MDMA do mundo, e já se espalhou pela Bélgica, Espanha, Suécia e Reino Unido.

Na Holanda a reação das autoridades foi muito rápida e evitou vitimas fatais. Mas o poder da droga surpreendeu os cientistas que a analisaram. Daan van der Gouwe, do Instituto Trimbos, que analisa cerca que 120 comprimidos não identificados por semana, ficou “chocado com o Super-homem”. “Nós estávamos preocupados. A única coisa que podíamos fazer era avisar toda a gente antes que fosse tarde demais”, desabafou este cientista do instituto que testa drogas há 20 anos.

Dann van der Gouwe recebeu um alerta de email sobre a droga no dia 18 de dezembro. De acordo com o The Guardian, o email de van der Gouwe continha em letras grandes “PMMA, 173 mg”. A dosagem de PMMA era demasiado alta: “Fiquei ainda mais preocupado porque era um fim de semana antes das festas de final de ano”. Para o cientista, “não faz sentido fazer comprimidos para matar. Não há retorno. Não faz sentido.”

O Reino Unido só reagiu após as primeiras mortes, como a de John Hocking, de 20 anos. A Public Health England fez um comunicado em janeiro a alertar para o perigo destas pastilhas. Nele constam alguns conselhos para quem tomar a droga: não ingerir comprimidos sem ter a certeza do que se trata, esperar uma hora após a toma (sem partir do princípio que não está a fazer efeito), manter-se junto de amigos e fazer pausas frequentes caso o utilizador esteja a fazer esforço físico (numa pista de dança, por exemplo).

Desde as primeiras notícias na imprensa holandesa que as redes sociais têm vindo a comentar o assunto. De acordo com os utilizadores do reddit, a droga já não existe na Holanda, mas entretanto está a espalhar-se pela Europa.

Texto editado por Pedro Esteves.