Os números não coincidem sobre a adesão, à greve dos trabalhadores da Carris, rodoviária que opera na zona da Grande Lisboa. De acordo com a empresa, até às 7h30 tinham circulado 149 veículos dos 496 previstos, como disse à Lusa a porta-voz da Carris. À mesma hora “os serviços mínimos decretados pelo colégio arbitral a ser integralmente cumpridos”, acrescentou Isa Lopes. A porta-voz da Transportes de Lisboa (que engloba a Carris, Metro e grupo Transtejo) revelou ainda que a rede de ascensores e o elevador de Santa Justa não tiveram quaisquer problemas, tendo o serviço sido cumprido a 100%.

Para os sindicatos os números são outros. Uma fonte da Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações (Fectrans – CGTP) fala de uma “adesão nesta superior a 80%”. “É uma grande jornada de afirmação dos trabalhadores da Carris contra o processo de destruição da empresa”, disse à agência Lusa Manuel Leal, do sindicato que também representa os trabalhadores da Carris, a par do Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes (Sitra – UGT).

Já para este sindicato a adesão fica-se pelos 70%. “Fizemos a volta pelas estações todas – Musgueira, Miraflores, Cabo Ruivo e Pontinha – e neste momento posso dizer que estão muito próximo dos 70% os números da adesão”, afirmou o dirigente sindical Sérgio Monte.

Os trabalhadores contestam a privatização da empresa pública de transporte rodoviário que opera na Grande Lisboa. “Aberto que está e publicitado o diploma do concurso, os trabalhadores querem manifestar a sua revolta contra esta privatização, que entendem ser desnecessária, até porque irá servir muito pior as populações e os utentes que utilizam a Carris diariamente”, declarou Sérgio Monte. Já para Manuel Leal, da Fectrans, os números de adesão à greve refletem “uma grande greve contra os objetivos de privatização da empresa através a figura da subconcessão”.

Na sequência da convocação de serviços mínimos em tribunal arbitral, vão estar em funcionamento, em 50% do regime normal, as carreiras 703 (Charneca do Lumiar – bairro de Santa Cruz) e 751 (Linda-a-Velha – estação de Campolide), estando também ativo o serviço de transporte exclusivo de pessoas com mobilidade reduzida.

Em causa está, segundo o Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes (Sitra), “a privatização acelerada que o Governo quer fazer dos transportes na região de Lisboa e na região do Porto, afastando totalmente as autarquias, que são parte interessadíssima neste problema”. Os trabalhadores vão realizar um plenário durante a manhã na estação de Santo Amaro, onde oficialmente se localiza a sede da empresa. A paralisação foi convocada pelo Sitra, mas teve o acolhimento de outros sindicatos, como confirmou à agência Lusa a Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações (Fectrans).

Os trabalhadores da Carris, do Metropolitano de Lisboa, da Transtejo e da Soflusa (responsáveis pelas ligações fluviais no Tejo) anunciaram também a realização, a 22 de abril, em Lisboa, de uma marcha “contra a privatização” daquelas quatro empresas de transportes.

(notícia atualizada às 9h30)