Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC)

  • 15 de abril Cerca de 500 pilotos, reunidos em plenário, decidem-se pela paralisação durante dez dias, entre 1 e 10 de maio. É a maior greve da empresa e é motivada por um conjunto de 30 pontos.
  • “O Governo pretende entregar a interesses privados as cedências que os pilotos fizeram ao Grupo TAP de boa fé e que contribuíram para a valorização dos ativos da empresa”, argumentou a organização sindical quando convocou a greve.
  • O SPAC acusa o Governo de desrespeitar um acordo, assinado em 1999, no qual se conferia aos pilotos uma participação de até 20% na companhia aérea em caso de privatização em troca de atualização dos salários.
  • Além disso, os pilotos consideram que o Governo também não está a cumprir o acordo assinado em dezembro de 2014, entre a TAP, a tutela e os nove sindicatos que representam os trabalhadores da companhia aérea.
  • Segundo o Observador apurou junto de diversas fontes, são muitos os pilotos – dentro do SPAC – que estão contra a paralisação, pelo que o impacto da mesma é ainda incerto. A direção do SPAC aponta para uma adesão na ordem dos 90% e desvaloriza os pilotos que se querem demarcar da ação.

Pedro Passos Coelho

  • 17 de abril, debate quinzenal: Questionado pelo CDS no Parlamento, Passos afirmou que a alternativa à privatização em curso “é o despedimento coletivo, venda de aviões, cancelamento de rotas, é ter uma TAP em miniatura que não servirá os interesses do país e dos trabalhadores”. Foi a primeira vez que o discurso – pelo menos, publicamente – atingiu este nível de violência, que os trabalhadores da TAP consideram ser chantagem.
  • 27 de abril, Museu da Electricidade:  Sublinhando que “os pilotos serão responsáveis pelas suas ações”, o primeiro-ministro voltou a referir-se ao assunto TAP para dizer que esperava que a greve não tivesse “o resultado mais indesejado de todos, que era o de nem se conseguir fazer a privatização da TAP nem se poder defender o emprego na TAP e a sua função tão importante para a economia nacional”.
  • 29 de abril, Ovibeja A terceira declaração de Passos sobre a greve da TAP foi feita em Beja, quando o governante admitiu que “o impacto que uma greve de 10 dias pode ter na economia nacional é significativo”. Segundo as contas do Governo, os prejuízos para a empresa serão de 70 milhões de euros. O sindicato de pilotos diz que o impacto ronda os 30 milhões.

Comissão de trabalhadores da TAP

  • 23 de abril Desde sempre contra a privatização da empresa, a comissão de trabalhadores da TAP reagiu às palavras do Governo, sublinhando o direito constitucional do direito à greve. “Se os sindicatos marcam as suas lutas é porque têm as suas razões e nós temos de respeitá-las. Em democracia, ganha a maioria e isso tem de ser respeitado”, disse Vítor Baeta ao Expresso. 
  • 30 de abril Depois de Sérgio Monteiro ter falado na necessidade de se fazer uma reestruturação da TAP, a comissão emitiu um comunicado em que acusava o secretário de Estado dos Transportes de fazer chantagem com os trabalhadores da companhia.
  • A “ameaça de reestruturação é em parte uma chantagenzinha do tipo, ‘ou aceitam a privatização ou levam com uma reestruturação’”, lê-se.

Trabalhadores da TAP, que não pilotos

  • 29 de abril Um conjunto de 300 trabalhadores da TAP, desde pessoal de terra a pessoal de cabine, fez uma marcha lenta e silenciosa na quarta-feira para apelar aos pilotos que desconvocassem a greve. Falando em “teimosia”, Fernando Santos, o trabalhador que promoveu a marcha, afirmou que “a greve começou a provocar danos desde que foi anunciada essa intenção” e disse que a paralisação “terá efeitos dramáticos” não só para os pilotos como para toda a companhia.
  • “Queremos pedir que seja cancelada a greve porque é o futuro da TAP que está em jogo”, disse.

António Costa

  • 30 de abril O líder socialista só na véspera do início da greve se manifestou pela primeira vez, e para dizer que estava preocupado com os efeitos da decisão dos pilotos na economia. A greve é “mais um mau contributo” para a empresa e “um retrocesso para a economia nacional”, afirmou
  • “Tenho de manifestar apreensão pela situação, e desgosto por não ter sido possível até agora encontrar-se uma solução que evite a greve e que evite a prossecução de uma privatização que nos termos em que está a ser feita não contribui nem para bom sucesso da TAP nem da economia nacional”, disse ainda.

Rui Paulo Figueiredo

  • 16 de abril O deputado socialista, pertencente à comissão de transportes da Assembleia da República, acusou o Governo de ser “obcecado” com privatizações e responsabiliza o Executivo pelo atual clima que se vive na TAP. “O problema da TAP está no processo de privatização e no Governo. É preciso parar o processo de privatização e é preciso mudar de Governo. O Governo não tem legitimidade política para o que está a fazer”, afirmou, demarcando-se, porém, das reivindicações dos pilotos.

Vasco Cardoso

  • O Observador tentou obter junto do PCP uma declaração relativa à greve dos pilotos, mas tal não foi possível até ao momento. A única posição tomada pelos comunistas foi de Vasco Cardoso, que também culpou o Executivo pela falta de paz social na transportadora aérea.
  • “A gente está perante um Governo para o qual vale tudo, a estratégia de desestabilização da TAP, de pressão, de chantagem, de ameaça, com o objetivo de privatizar, de vender esta empresa custe o que custar”, disse à Antena 1.

Arménio Carlos

  • 29 de abril Na ante-véspera da greve, o líder da CGTP mediu as palavras e distanciou-se das pretensões dos pilotos. “Não trabalhamos nem lutamos contra as privatizações para entrarmos como acionistas, lutamos contra as privatizações porque entendemos que as privatizações têm sido penalizadoras para os trabalhadores, para a população e para o desenvolvimento do país”, frisou o sindicalista.

Carlos Silva

  • 28 de abril O secretário-geral da UGT mostrou-se cauteloso na abordagem à greve. “Nós percebemos que, naturalmente, isto vai trazer constrangimentos à própria empresa”, disse Carlos Silva. “Se é para dificultar a privatização, pois não sei se é o melhor caminho”, defendeu o sindicalista, para quem “há uma perda para a empresa, há uma perda para o turismo e para milhares e milhares de pessoas”.

José Silva Peneda

  • 29 de abril, entrevista à RTP Informação O ainda presidente do Conselho Económico e Social sublinhou os perigos que podem advir do impacto da greve na empresa, dando o exemplo de outras companhias europeias que faliram recentemente. “A informação que eu tenho de muitos responsáveis é de que pode contribuir de uma forma decisiva para que a TAP fique numa situação de insolvência”

Roque Braz de Oliveira

  • O comandante Braz de Oliveira foi um dos primeiros pilotos da TAP e também um dos fundadores do SPAC. “O primeiro sou eu”, atira, quando o Observador o questiona sobre quem está contra a greve da TAP. “Estou um bocado revoltado”, diz o histórico piloto, que nos últimos dias se multiplicou em telefonemas e contactos para tentar convencer os ex-colegas a desistir da paralisação. “Já os dissuadi o mais possível”, afirma Braz de Oliveira, que fala de um sindicato “partido ao meio”.
  • “O que é que se está a passar com esta gente? Nunca aconteceu no sindicato haver pilotos contra pilotos”, lamenta Roque Braz de Oliveira, que apelida a greve de “um disparate”.

António-Pedro Vasconcelos

  • 26 de abril O realizador, ligado ao movimento “Não TAP os olhos”, tem manifestado publicamente a sua oposição à privatização da empresa, que considera não ser motivada pelas razões evocadas pelo Governo, que acusa de “má-fé”. Num artigo de opinião publicado no Público no domingo passado, Vasconcelos manifestou-se igualmente contra a greve, mas por motivos diferentes dos do Executivo:
  • “De facto, esta greve anunciada não é contra a privatização da TAP. Pelo contrário, é uma greve a favor de uma privatização que lhes permita retirar miríficos dividendos da privatização da companhia nacional, nomeadamente 10% a 20% das acções da empresa ou a devolução das diuturnidades suspensas pela Lei do Orçamento Geral do Estado.”, escreveu o realizador.

Aníbal Cavaco Silva

  • 30 de abril O Presidente da República quebrou o silêncio na véspera de início da greve para dizer que já não tinha esperança de que a paralisação fosse suspensa. “Deus queira que na TAP não aconteça o que aconteceu noutros países da União Europeia, em que as companhias foram forçadas a realizar despedimentos significativos e a cortar rotas”, disse Cavaco.

Sérgio Monteiro

  • 28 de abril O secretário de Estado dos Transportes desdobrou-se em declarações sobre a greve, apelando aos pilotos que reconsiderassem. “Claramente a bola já não está do lado do Governo desde Dezembro, porque fez o que lhe competia, tal como a empresa. A bola está do lado dos pilotos”, disse na terça-feira.
  • 29 de abril Na SIC Notícias, Sérgio Monteiro retomou o discurso que Passos Coelho já tivera no Parlamento, indo, no entanto, mais longe e quantificando o impacto na empresa. “Se o impacto da greve for aquele que está estimado, a TAP não é a mesma no dia 16 de maio”, afirmou, precisando que a reestruturação por que a transportadora aérea terá de passar vai levar a um despedimento na ordem dos 30% a 40% dos trabalhadores.