O Chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA) alertou este domingo para a falta de investimento militar destinado à Marinha, sublinhando a urgência da substituição de alguns meios.

“No que respeita ao investimento, apesar da recente alteração da LPM [Lei da Programação Militar], constata-se que ainda subsiste um volume insuficiente de investimento militar destinado à Marinha, necessário para a adequada edificação das capacidades requeridas”, afirmou o almirante Luís Manuel Fragoso, numa intervenção da cerimónia militar das comemorações do Dia da Marinha.

Reconhecendo que nas atividades marinhas “é tudo muito dispendioso e mais ainda na Marinha militar”, exigindo por isso uma programação de longo prazo, o CEMA salientou que é imperioso assegurar que a LPM seja dotada com as verbas necessárias à concretização do programa de reequipamento.

O almirante Luís Manuel Fragoso acrescentou ser necessário, sobretudo, “evitar todo o tipo de restrições que possam vir a ser imputadas à utilização das verbas previstas, pois estas são altamente perturbadoras para a concretização dos programas”.

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Por isso, continuou, “nestes tempos difíceis” há que aproveitar as oportunidades”, como aconteceu no caso da substituição dos patrulhas Cacine.

Nesse caso, por não ser possível encontrar financiamento e não ser viável construir novos navios de patrulha costeira, “houve que procurar outras opções”, tendo sido adquiridos quatro navios “em excelentes condições” à Dinamarca, que disponibilizou a “preço simbólico” navios de classe STANFLEX, recordou, falando igualmente do caso das corvetas, que “estão à beira do fim inexorável”.

“Urge dispormos destes meios, pois como bem sabemos o tempo corre contra nós”, frisou o Chefe do Estado-Maior da Armada.

A compra do Navio Polivalente Logístico Siroco a França foi igualmente referida pelo CEMA, lembrando que o financiamento para a construção de um novo navio representaria cinco vezes o valor em discussão para a aquisição da embarcação francesa.

Na sua intervenção, o CEMA apelou, também, a que o Estado dê a devida prioridade ao mar, garantindo a sua “boa governança”.

“Importa, assim, que não se dupliquem capacidades para as mesmas tarefas e se desperdicem recursos, numa lógica de pequenos poderes que compromete necessariamente as probabilidade de sucesso”, alertou, reafirmando que o modelo de Autoridade Marítima existente é o que melhor serve Portugal.