Quando surgiu, em março de 2012, a Taberna Moderna trouxe um novo fôlego à cultura do gin tónico em Portugal. Na altura, o seu Lisbonita Gin Bar contava com 40 referências da bebida e sugeria o que parecia ser uma união improvável — servir gin à refeição.

Atualmente, o bar aposta em mais de 100 marcas da aguardente à base de cereais, conta ao Observador Luis Carballo, responsável pelo espaço e pelo conceito. O galego que se apaixonou por Lisboa garante que o gin não é uma moda, antes uma bebida de culto e a única espirituosa que não é substituível. E elogia, sem rodeios, o trabalho feito por terras lusas:

“O nascimento do gin tónico em Portugal foi muito bem feito, melhor do que em Espanha, onde cresceu muito rapidamente, embora sem a devida formação. Em Portugal é fácil beber um bom gin tónico, apesar de haver espaços onde isso não acontece.”

Na véspera do Dia Nacional do Gin, que este ano se assinala a 27 de junho, Luis Carballo deixa ficar um conjunto de dicas para que consiga fazer um gin tónico perfeito em casa, não sem antes lembrar que “o mais importante é entender o cliente [como quem diz as pessoas] e orientá-lo consoante o palato desejado”. No final, partilha também duas receitas: um gin ainda a tempo dos santos populares e outro que cai bem a qualquer hora do dia.

1. O gin deve ser preparado num copo largo para que a bebida possa respirar e libertar os seus aromas. Há quem defenda o copo com pé alto para não se correr o risco de aquecer a bebida com as mãos. Quanto a isso, Carballo responde: “Um copo baixo, de boca larga, é o copo perfeito para o gin”.

2. O gelo tem de aguentar mais de 25 minutos. Carballo explica que há duas classes de gelo: o que é feito em casa e o industrial, que pode ser adquirido, a título de exemplo, nas bombas de gasolina. O segundo aguenta muito mais tempo sem derreter, pelo que vai melhorar a experiência — o copo deve estar completamente cheio de gelo. Depois de inseridas as pedras, é dar uma volta com a colher de bar para arrefecer as paredes do copo.

3. Não há uma medida obrigatória, mas sim aquilo que se estima ser a solução mais equilibrada para a bebida, daí que o conselho geral seja 5 centilitros de gin para 20 de água tónica. “Na minha opinião, podemos chegar até aos 6, 6,5 centilitros. De 6,5 para cima sabe muito a gin, abaixo de quatro sabe muito a água tónica.”

Gin-Tonico

4. A água tónica, à semelhança do gin, é um mundo. Há águas mais e menos amargas e há, inclusive, tónicas com sabores. No Lisbonita Gin Bar a preferência recai sobre as águas neutras, isto é, as que não se sobrepõem aos aromas do gin — são águas tónicas não invasivas.

5. O gin tónico deve ser servido muito frio e com muito gás. Carballo explica que é preciso cuidado quando inserir a água tónica na mistura, de forma a que esta não perca o gás. E acrescenta que, caso não tenha uma colher de bar em casa (para ajudar a escorrer lentamente a água tónica), pode simplesmente inclinar o copo.

6. Aromatizar um gin também requer indicações específicas. Quando usamos citrinos deve-se cortar a casca fina com um descascador (no caso das laranjas, por exemplo, não se pode chegar à parte branca do fruto porque isso vai conferir amargura à bebida). As ervas aromáticas, dependendo do tipo, são colocadas diretamente no copo — mas antes de o fazer deve-se colocar a folha nas mãos e apertá-la, de modo a libertar os aromas, e ainda passá-la pela borda do copo.

7. O gin deve ser bebido em cerca de 15 minutos para que não fique muito aguado.

8. Como a bebida precisa de estar sempre muito fria, Carballo aconselha a colocar a garrafa de gin no congelador, o que não é permitido fazer nos restaurantes/bares. A bebida não congela porque tem mais de 40 graus de álcool e, em vez de líquido, o gin sai um pouco mais espesso.

Dados os conselhos, basta fazer um brinde de olhos nos olhos. Mas isso já é recomendação nossa…

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