Chega o inverno e toda a gente deseja pelas temperaturas abrasadoras de verão. Mas quando elas se fazem sentir, toda a gente vai em busca do sítio mais fresco da cidade. E de preferência com o ar condicionado mais eficaz. O que acontece muitas vezes é que o frio começa a sentir-se mais do que se deseja é a de procurar uma mantinha ou camisola para aconchegar.

Gasta-se dinheiro, muita energia e ainda contribuímos para os problemas climatéricos. Então porque insistem as empresas, os restaurantes, os bares e até as pessoas em casa em instalar sistemas de refrigeração? Porque é um sinal de poder, justifica Richard de Dear, diretor do Laboratório de Qualidade Medioambiental Interior da Universidade de Sidney ao El País.

A maior parte das pessoas que procuram uma casa para comprar ou alugar têm como exigência a existência de ar condicionado. Nas empresas a ideia é a mesma: os empregadores pensam que a produtividade aumenta em salas onde o ar está mais frio, por isso ligam os sistemas de refrigeração e fazem-no trabalhar no nível mais alto – que é como quem diz, no mais frio.

Mas nada mais errado: estudos provam que se cometem mais erros quando o termómetro aponta um valor entre os 20ºC e os 22,2ºC do que quando estão 23,3ºC a 24,4ºC.

A verdade é que estamos a contrariar a própria natureza. Por dois motivos: primeiro, o ser humano associa sempre o calor à segurança e o frio à vulnerabilidade. E quanto mais vulneráveis nos sentimos, menos produzimos. E depois porque contrariamos as mensagens ao hipotálamo, a região cerebral que regula a temperatura corporal e obriga o organismo a reagir perante o frio.

Faz um calor desgraçado na rua e entramos de seguida num escritório com um ambiente polar no interior. Estas mudanças extremas de temperatura podem ser fatais, já que confundem o hipotálamo e podem desencadear um choque térmico. E se a pele estiver mais exposta, como é normal no verão, as células nervosas recetoras da temperatura estão mais desprotegidas.

As máquinas de ar condicionado foram concebidas para ajudar em situações extremas de calor e de frio, numa altura em que a eficiência energética não era um fator que se tivesse em conta. Agora que os edifícios levam esse fator mais a sério, a história inverteu-se: se os isolamentos são melhores, a circulação de ar torna-se mais difícil. Ou seja, nem o ar condicionado escapa (boa!), nem o ar puro entra (má ideia…), logo os níveis de dióxido de carbono aumentam e começamos a respirar um ar muito pouco saudável.

Acontece que andamos a utilizar o ar condicionado até à exaustão, até porque os comandos com que os aparelhos vêm acompanhados estão à mão de semear.