Ambiente

Ar condicionado nem sempre faz (nem sabe) bem

176

Abrir as janelas quando está calor é coisa do passado. O ar condicionado domina o ambiente nos espaços interiores. Tanto que chegamos a ter frio. Porquê?

O ar condicionado pode dificultar a circulação do ar, o que não é benéfico para a saúde

Getty Images

Chega o inverno e toda a gente deseja pelas temperaturas abrasadoras de verão. Mas quando elas se fazem sentir, toda a gente vai em busca do sítio mais fresco da cidade. E de preferência com o ar condicionado mais eficaz. O que acontece muitas vezes é que o frio começa a sentir-se mais do que se deseja é a de procurar uma mantinha ou camisola para aconchegar.

Gasta-se dinheiro, muita energia e ainda contribuímos para os problemas climatéricos. Então porque insistem as empresas, os restaurantes, os bares e até as pessoas em casa em instalar sistemas de refrigeração? Porque é um sinal de poder, justifica Richard de Dear, diretor do Laboratório de Qualidade Medioambiental Interior da Universidade de Sidney ao El País.

A maior parte das pessoas que procuram uma casa para comprar ou alugar têm como exigência a existência de ar condicionado. Nas empresas a ideia é a mesma: os empregadores pensam que a produtividade aumenta em salas onde o ar está mais frio, por isso ligam os sistemas de refrigeração e fazem-no trabalhar no nível mais alto – que é como quem diz, no mais frio.

Mas nada mais errado: estudos provam que se cometem mais erros quando o termómetro aponta um valor entre os 20ºC e os 22,2ºC do que quando estão 23,3ºC a 24,4ºC.

A verdade é que estamos a contrariar a própria natureza. Por dois motivos: primeiro, o ser humano associa sempre o calor à segurança e o frio à vulnerabilidade. E quanto mais vulneráveis nos sentimos, menos produzimos. E depois porque contrariamos as mensagens ao hipotálamo, a região cerebral que regula a temperatura corporal e obriga o organismo a reagir perante o frio.

Faz um calor desgraçado na rua e entramos de seguida num escritório com um ambiente polar no interior. Estas mudanças extremas de temperatura podem ser fatais, já que confundem o hipotálamo e podem desencadear um choque térmico. E se a pele estiver mais exposta, como é normal no verão, as células nervosas recetoras da temperatura estão mais desprotegidas.

As máquinas de ar condicionado foram concebidas para ajudar em situações extremas de calor e de frio, numa altura em que a eficiência energética não era um fator que se tivesse em conta. Agora que os edifícios levam esse fator mais a sério, a história inverteu-se: se os isolamentos são melhores, a circulação de ar torna-se mais difícil. Ou seja, nem o ar condicionado escapa (boa!), nem o ar puro entra (má ideia…), logo os níveis de dióxido de carbono aumentam e começamos a respirar um ar muito pouco saudável.

Acontece que andamos a utilizar o ar condicionado até à exaustão, até porque os comandos com que os aparelhos vêm acompanhados estão à mão de semear.

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Liberdades

Graus de liberdade /premium

Teresa Espassandim

Ninguém poderá afirmar que é inteiramente livre, que pouco ou nada o condiciona, como se a liberdade significasse tão só e apenas a ausência de submissão e de servidão.

Sindicatos

Vivam as greves livres

Nuno Cerejeira Namora

Estes movimentos têm de ser encarados como o sintoma de um mal maior: a falência do sindicalismo tradicional e a sua incapacidade de dar resposta às legítimas aspirações dos seus filiados.

Sri Lanka

Ataque terrorista à geografia humana de Portugal

Vitório Rosário Cardoso

É quase indissociável desde o século XVI na Ásia marítima a questão de se ser católico e de se ser Português porque afirmando-se católico no Oriente era o mesmo que dizer ser-se Português. 

Museus

Preservação do Património Cultural

Bernardo Cabral Meneses

As catástrofes ocorridas no Rio de Janeiro e em Paris deverão servir de exemplo para ser reforçada a segurança contra incêndios nos edifícios e em particular nos museus portugueses.

Liberdades

Graus de liberdade /premium

Teresa Espassandim

Ninguém poderá afirmar que é inteiramente livre, que pouco ou nada o condiciona, como se a liberdade significasse tão só e apenas a ausência de submissão e de servidão.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)