O Presidente da República marcou para as 20h30 uma declaração ao país, onde anunciará a data das eleições legislativas. Na terça-feira, os partidos com assento parlamentar deixaram as suas preferências, tendo em conta as limitações constitucionais, com o PSD, PS e CDS a concordarem que a mais indicada seria 27 de setembro – para acelerar a formação de um Governo e a preparação do Orçamento seguinte. Todos, mesmo assim, disseram que seria aceitável o dia 4 de outubro.

Anunciando a data com uma comunicação, Cavaco Silva decidiu fazer mais do que isso: deixará, como em 2009, uma mensagem mais política para tentar marcar o tom da campanha – e os seus objetivos para esta. Só em 2011, nas antecipadas que resultaram da rejeição do PEC IV (e depois do pedido de ajuda externa), Cavaco optou por não o fazer desta forma: falou, sim, na sequência do Conselho de Estado que aprovou a dissolução da Assembleia.

De acordo com a Constituição da República, as eleições legislativas terão de se realizar entre os dias 14 de setembro e 14 de outubro.

A 3 de maio passado, durante uma viagem de avião para a Noruega, o chefe de Estado recordou que a única ocasião em que as eleições legislativas se realizaram em setembro foi em 2009, para evitar a coincidência de datas com a realização das autárquicas.

Sem revelar a data para que se “inclina”, o chefe de Estado adiantou então que, em Belém, já foram “estudadas todas as datas possíveis” e disse que há que pensar em que data é que os partidos terão de entregar as listas de candidatos consoante o fim de semana escolhido para as eleições, pois “a certo momento” o prazo limite “fica nas férias”.

“E há ainda a campanha eleitoral, pois se não têm cuidado ocorre nas praias”, gracejou.

Interrogado durante esse voo para a Noruega sobre se não poderá ser prejudicial escolher o dia 4 de outubro, já que é a véspera do dia da Implantação da República, o Presidente da República encolheu os ombros, declarando apenas: “Já não é feriado”.