O Presidente da República da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, solicitou, por escrito, ao Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) que indique um nome para o cargo de primeiro-ministro, anunciou a presidência. Em comunicado, a Presidência explica que o pedido foi endereçado ao PAIGC “na qualidade de partido vencedor das últimas eleições legislativas”.

José Mário Vaz solicitou o nome depois de se ter reunido separadamente, durante a manhã, com os partidos com assento parlamentar. Nos encontros, todos concordaram com a consulta ao PAIGC, adianta a Presidência.

O partido já anunciou que vai voltar a propor o nome do primeiro-ministro demitido, Domingos Simões Pereira, tal como consta dos estatutos daquela força política: o presidente do PAIGC é o nome indicado para liderar o Governo. Os órgãos dirigentes do partido renovaram a confiança em Simões Pereira e vão seguir os estatutos.

O Presidente da República não voltou a prestar declarações públicas depois de na quarta-feira ter demitido o Governo e desconhece-se o que fará quando for confrontado com o nome do mesmo primeiro-ministro que demitiu.

O Presidente da República demitiu o executivo num decreto em que se justifica com quebra mútua de confiança, dificuldades de relacionamento com o chefe do Governo e sinais de obstrução à Justiça. Num discurso à nação, José Mário Vaz acusou ainda o primeiro-ministro e o Governo de corrupção, nepotismo e de falta de transparência na gestão pública.

Domingos Simões Pereira disse na quinta-feira estar “chocado” pela forma como o Presidente “faltou à verdade”.

O Governo estava em funções há um ano, depois de o PAIGC vencer as eleições com maioria absoluta e de ter recebido duas moções de confiança aprovadas por unanimidade no Parlamento nos últimos dois meses – além de ter o apoio da comunidade internacional.

Apesar de todas as forças políticas e várias entidades, dentro e fora do país, terem feito apelos públicos dirigidos ao Presidente no sentido do diálogo e estabilidade, José Mário Vaz decidiu derrubar o Governo e deverá agora pedir ao PAIGC que indique um novo nome para primeiro-ministro.