O presidente da Câmara dos Deputados do Brasil, Eduardo Cunha, rejeitou que vá renunciar ao cargo após ter sido acusado formalmente pelo procurador da República, Rodrigo Janot, por suspeita de corrupção na Petrobras.

“Renúncia não faz parte do meu vocabulário, assim como covardia não faz. (…) Meu advogado irá tratar da forma que tem de tratar, nos fóruns próprios,daquela ilação que foi protocolada como denúncia”, afirmou Cunha hoje, realçando ser inocente.

O presidente da Câmara brasileira disse que irá enfrentar o momento com tranquilidade, discursando numa central sindical de São Paulo. Cunha lembrou ainda que a constituição brasileira prevê a presunção de inocência.

Eduardo Cunha é suspeito de receber suborno de contratos da Petrobras com uma empresa coreana, para o fornecimento de navios, e de branquear capitais. A acusação formal contra ele chegou na quinta-feira ao Supremo Tribunal Federal brasileiro.

Janot não pediu o afastamento de Cunha da Presidência da Câmara. Segundo a imprensa brasileira, o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL, de esquerda) deve defender na Casa Legislativa a saída do político do cargo.

O presidente da Câmara, filiado no Partido do Movimento Democrático Brasileiro – que integra a coligação governamental -, considera-se da oposição ao Governo da Presidente Dilma Rousseff desde julho, quando se declarou vítima de uma estratégia para o enfraquecer, dado o seu protagonismo no Legislativo e o apoio a projetos contrários à vontade do Governo.

No discurso de hoje, Cunha afirmou que a acusação formal não prejudica o seu trabalho na Câmara porque os processos costumam demorar para serem julgados pela Justiça, e citou o caso do presidente do Senado, Renan Calheiros, que sofreu uma denúncia da Procuradoria há dois anos, que ainda não foi analisada pelo Supremo Tribunal Federal.

“Ninguém diz que ele [Calheiros] não tem condição de comandar a Casa, e não estou dizendo isso, ele tem condição, é claro”, afirmou Cunha.

Calheiros também é do PMDB e, apesar de ter se posicionado de forma contrária à vontade do Governo em alguns temas, continua parte da coligação de Governo e apresentou neste mês um conjunto de projetos de lei denominado Agenda Brasil, para ser votado no Senado, de maneira a tentar um acordo e combater a crise econômica.