A polícia de Toronto, no Canadá, está a investigar o suicídio de dois utilizadores do site Ashley Madison, cujos dados foram divulgados na Internet durante a semana passada. As autoridades ainda não deram mais informações sobre o sucedido, revela a BBC, mas afirmaram que o roubo de informações do site de infidelidade Ashley Madison por parte do grupo de hackers “Impact Team” era “criminoso”, sublinhando o seu impacto profundo na vida pessoal dos utilizadores.

A polícia do Canadá encontra-se a investigar, em conjunto com as autoridades norte-americanas (FBI), quem são os responsáveis pela divulgação de cerca de 30 gigabytes de dados pessoais de utilizadores na Internet, durante a semana passada. No mesmo sentido, a sucursal canadiana da Avid Life Media, a empresa detentora do Ashley Madison, está a oferecer 500.000 dólares canadianos (cerca de 328.000 euros) por informações sobre os hackers.

“As ações dos hackers são claramente de natureza criminosa”, afirmou esta segunda-feira Bryce Evans, diretor da polícia de Toronto, refere o Wall Street Journal (WSJ). “Este roubo é uma das maiores fugas de informação do mundo e é bastante singular no sentido em que expôs a informação pessoal de milhões de pessoas, incluindo os dados dos cartões de crédito que a Avid Life obteve”, explica.

Bryce Evans disse ainda que a polícia se encontra a investigar os dois suicídios com potenciais elos à divulgação de dados pessoais do site Ashley Madison. Foram também confirmados pela polícia casos em que os utilizadores do site da Avid Life teriam de pagar 300 dólares canadianos (cerca de 196 euros), sob ameaça de verem as suas informações expostas.

Na quinta-feira passada foram divulgados mais 20 gigabytes de informações, roubadas por hackers, do site Ashley Madison. No dia anterior, o grupo de piratas informáticos “Impact Team” já tinha divulgado na Internet 9,7 gigabytes de informações pessoais dos utilizadores do site. Se o primeiro ataque foi sobretudo dirigido aos clientes do site, na segunda divulgação o grupo de hackers quis intimidar os administradores de topo do Ashley Madison, nomeadamente, o CEO Noel Biderman.

Na quarta-feira, o CEO negou que as informações divulgadas fossem verdadeiras. Agora, recusa-se a comentar os desenvolvimentos do caso, refere o WSJ. Um porta-voz da empresa terá dito ao jornal que a Avid Life Media se encontra “firmemente empenhada em apoiar plenamente as autoridades policiais e de investigação, sem reservas”. Contudo, recusa-se a fornecer detalhes da investigação.

“É necessário entender as pessoas, o impacto social por detrás desta fuga [de informações]”, afirmou o diretor da polícia de Toronto. “Estamos a falar de famílias, das suas crianças, das suas mulheres, dos seus parceiros masculinos.”