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Christine Lagarde

FMI receia abrandamento global devido a “solavancos” na crise chinesa

A estrada poderá ter "solavancos" mas Lagarde está confiante de que as autoridades chinesas têm meios para gerir a transformação da sua economia. Mas o resto do mundo não escapará a um contágio.

JIM LO SCALZO/EPA

O Fundo Monetário Internacional (FMI) antecipa um crescimento global “moderado” este ano mas está mais pessimista do que em julho quando às perspetivas de crescimento. É “provável” que a economia global se expanda menos do que os 3,3% previstos em julho pelo organismo, o que já corresponderia a uma desaceleração face ao crescimento de 3,4% registado em 2014. E porquê a cautela maior? Pela desaceleração económica na China e pelos efeitos que isso irá causar no resto do mundo.

“No geral, antecipamos que o crescimento global continue num ritmo moderado e, provavelmente, mais fraco do que o antecipado em julho”, terá dito Christine Lagarde num discurso preparado que proferiu esta terça-feira na capital da Indonésia. As declarações são citadas por agências como a Reuters.

A diretora-geral do FMI explicou que “à medida que a economia chinesa se ajusta a um novo modelo de crescimento, o crescimento está a abrandar – mas não de forma acentuada nem inesperada“. Assim, “outras economias emergentes, incluindo a Indonésia, terão de se manter vigilantes para gerir fenómenos de contágio causados pelo abrandamento chinês e por condições financeiras mais apertadas”, avisa Christine Lagarde.

A francesa à frente do FMI recorda que “a transição [na China] para uma economia mais orientada para os mercados e a eliminação de riscos acumulados nos últimos anos é uma transição complexa, que poderá ter alguns solavancos“. Dito isto, Lagarde está confiante que “as autoridades têm as ferramentas adequadas e as almofadas financeiras para gerir esta transição”.

A economia chinesa passou boa parte das últimas três décadas a crescer uma média de 10%, mas sob a liderança do presidente Xi Jinping a China está a promover alterações no modelo económico, contrabalançando mais a aposta nas exportações com estímulos ao consumo e com o que na China se chama “harmonia”, isto é, maiores benefícios sociais para os trabalhadores e restantes cidadãos.

Ao mesmo tempo, está a tentar esvaziar-se gradualmente a bolha de crédito que se gerou nos últimos ano. Crédito este que é, em várias situações, concedido por entidades que escapam à supervisão – daí que há vários anos alguns especialistas, como Nouriel Roubini, alertem para o risco de uma “aterragem brusca” na China, já que uma inversão súbita nos fluxos de créditos poderia gerar efeitos em cadeia capazes de levar a uma desaceleração do crescimento mais acentuada do que as autoridades aceitam.

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