“Dos 28 países da UE, 13 entraram nos últimos anos. E muitos deles não tinham Estado próprio há 25 anos atrás. Não estamos a pedir a lua, estamos a pedir nem mais nem menos do que os outros”, declarou Artur Mas numa conferência de imprensa com a imprensa estrangeira para explicar o processo que visa a independência da Catalunha.

Artur Mas é o número quatro da plataforma “Junts pel Sí” (Juntos pelo Sim) que encara as eleições autonómicas de 27 de setembro como um plebiscito à independência da região, afirmando que se os partidos pró-soberania obtiverem maioria absoluta avançarão com uma separação de Espanha no prazo de 18 meses.

O presidente do governo catalão afirmou que nesse cenário (e não num cenário de maior número de votos, como é habitual num referendo), as estruturas catalãs vão começar a negociar com o governo central em Madrid, com as instituições europeias em Bruxelas e com todas as capitais europeias.

“Daremos a mão a todos, a Madrid, a Bruxelas e a todas as capitais europeias para chegar a um acordo, porque acreditamos que será bom para todos, para Espanha e para a Europa”, salientou.

Para Artur Mas, este processo “não é contra ninguém, nem contra Madrid”, porque os catalães apenas querem “o mesmo que a maioria dos países europeus já tem”: um Estado.

O presidente do governo – que surgiu ao lado do número um da Junts pel Sí, Raul Romeva, e de Oriol Junqueras – afirmou que é no melhor interesse da Europa aceitar uma solução para a Catalunha, uma vez que a região alberga “mais de 5.000 multinacionais alemãs, francesas, holandesas”.

“Uma percentagem considerável das exportações espanholas”, disse Artur Mas, “saem pelas estruturas da Catalunha”.

A Catalunha é um Estado economicamente viável e politicamente responsável. Vai a Europa deixar todas estas coisas no limbo”, questionou Artur Mas.

Questionado sobre o modelo através do qual os partidos independentistas estão a conduzir este processo – através de umas eleições autonómicas – Artur Mas declarou que esta foi a única ferramenta legal que Madrid lhe deixou para “fazer alguma coisa”.

“A única ferramenta legal que tenho nas mãos é convocar eleições. Dissemos que usaríamos medidas legais e é isto que estamos a fazer. Gostaria de contar votos e não assentos, mas não posso porque o voto em alguns partidos políticos vão contar como ‘não’ e na verdade defendem o direito dos catalães a decidir o seu futuro”, concluiu.

Para Mas, todas as alternativas propostas pela Catalunha – estatuto de autonomia em 2006 e um referendo em 2014 – foram “sempre bloqueadas em Madrid”.

“A alternativa seria não fazer nada, e não estamos dispostos a não fazer nada”, sublinhou.

As sondagens mais recentes indicam que a Catalunha está dividida quanto a uma independência, com os partidos que a apoiam (Junts pel Sí e CUP, de extrema-esquerda) a conseguirem a maioria absoluta por um ou dois deputados, mas com mais de 50% dos votos nos partidos que não defendem essa opção.