As aulas ainda não começaram, mas esta lição convém estudar com antecedência. Estojo, régua, canetas, cadernos, dossiers, Mínimos ou Faísca McQueen — todas estas decisões são mais ou menos inocentes quando se trata de fazer “check” na lista de material escolar. Já quanto à forma como transportar isto tudo até à escola, há algumas dicas que podem ajudar a saúde das costas. Falámos com o neurocirurgião Paulo Pereira, vice-presidente da Sociedade Portuguesa da Patologia da Coluna Vertebral e coordenador nacional da campanha de sensibilização Olhe Pelas Suas Costas para saber como escolher a mochila do seu filho e controlar o peso que vai lá dentro.

Mochila ou pasta — ganha mesmo a primeira?

Quando estamos a falar de crianças pequenas que têm de levar mais livros para a escola do que um vendedor do Círculo de Leitores, sim, a mochila é preferível porque “distribui melhor o peso entre os ombros” e uma das grandes questões, na equação peso/coluna, é “distribuir sempre a carga pelo nosso centro de gravidade”.

Como deve ser a mochila?

Deixando o padrão para os gostos pessoais e as modas da Disney, o tamanho deve ser regulado e a mochila “deve ter a altura das costas de quem a usa”, ou seja, “não ficar nem acima dos ombros nem abaixo da cintura e não ultrapassar a largura das costas”. Quanto às alças, há várias coisas a ter em conta: devem ser almofadadas, ajustáveis — para ficarem encostadas às costas o máximo possível — e devem ter quatro ou cinco centímetros de largura. “As alças mais finas fazem mais pressão por unidade de superfície, e o ideal é haver sempre distribuição do peso”, diz Paulo Pereira.

Mickey Classic Backpack S

Mochila com alças ajustáveis e duas bolsas laterais, Samsonite (39€)

Já o material deve ser leve e ao mesmo tempo resistente, balanço que se pede também às costas da própria mala: “por um lado devem ser rígidas, para oferecer um bom suporte, por outro devem ser almofadadas, para não magoar”. Apesar de todas as indicações, o neurocirurgião sublinha:

“O mais importante disto tudo é o peso que se transporta. Por muito boa que seja a mochila, quando existe carga a mais é sempre prejudicial. Habitualmente não temos efeitos imediatos mas de forma crónica o excesso de peso vai provocar o desgaste dos discos intervertebrais, que são os amortecedores da nossa coluna.”

Qual é então o peso máximo que uma criança deve transportar?

Não é uma conta para ser feita por um aluno do primeiro ano, mas não é complicada: “a carga não deve ultrapassar 10 por cento do peso de quem a transporta”. O problema, diz Paulo Pereira, é que “nas mochilas escolares isto é ultrapassado largamente, porque temos crianças pequenas que levam seis, sete quilos na mochila”, mesmo quando transportam apenas o material necessário para esse dia da semana. “Uma possibilidade seria não terem de andar com tantos livros e poderem deixar alguns na escola, por exemplo num cacifo, mas muitas vezes não é possível.” E o desafio é mesmo esse: “equilibrar o que é saudável com o que é prático”.

Nesse caso as mochilas com rodinhas são uma boa opção?

As rodinhas ajudam nos casos em que as crianças têm de percorrer longas distâncias a pé, e em superfícies regulares e planas (ou seja, sem terem de andar a saltar de sala de aula em sala de aula, com escadas pelo meio). “Puxar um peso exige menos esforço do que andar com ele às costas, mas é importante que a pega do trolley, quando esticada, permita ser puxada sem a criança se dobrar”, diz o especialista.

Mochila Blue (adaptada para trolley), Firmo

Mochila adaptada para trolley com duas divisórias, Firmo (19,99€)

E há alguma forma mais correta de arrumar os livros?

“Os objetos mais pesados devem ser colocados no fundo da mochila”, e também se deve ter atenção às bolsas. Se forem laterais, a distribuição deve garantir que a carga fica equilibrada; se forem interiores, devem ser o mais encostadas às costas possível, mais uma vez para se aproximarem do nosso centro de gravidade. “As bolsas ajudam a distribuir a carga e ao mesmo tempo a mantê-la mais fixa”, conclui Paulo Pereira. O que é ideal para crianças irrequietas — que são quase todas.