Quando Candace Johnson subiu ao palco do auditório 1 do ICT 2015 esta quarta-feira, pediu a todos os presentes que se levantassem e pusessem os braços com os telemóveis no ar. A sala cheia seguiu-a. Mãos para a esquerda, mãos para a direita. E a música: “We’ve got the whole world in our hands” (Temos o mundo inteiro nas nossas mãos). A plateia voltou a segui-la. Tinham todos um smartphone nas mãos. Tinham todos (literalmente) um mundo nas mãos

Candace Johnson é a mulher que em 1985 cofundou o Société Européenne des Satellites, o operador de satélites de telecomunicações responsáveis pelas transmissão de milhares de canais de televisão e rádio na Europa e no Norte de África. E não só. É presidente da European Trade Association for Business Angels, Seed Funds ad Early Stage Market Players, da rede Europe Online Investments ou da Global Telecom Women’s Network.

A um auditório cheio, disse que os europeus têm “a responsabilidade de fazer o mundo crescer” e de ter “grandes objetivos” – encontrar soluções para aqueles que são os “grandes problemas” da humanidade, da energia, à saúde e à educação.

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“Para mim, ser empreendedor é ter uma visão. Quero que os empreendedores construam novas infra-estruturas de energia, aqueles que vão ser os hospitais de futuro… E já agora, quero que isto seja feito com investimento privado, porque acredito no poder do indivíduo, do empreendedor, do cidadão e do mercado privado. Par fazer isto tudo é preciso liberdade. E, graças a Deus, isso é algo que temos na Europa”, afirmou Candace Johnson.

Com um discurso muito focado na importância de a inovação estar aberta e acessível a todos, Candace Johnson explicou que antes de inovar, é preciso inspirar as pessoas. E para fazer com que a investigação e a inovação criem emprego e estimulem o crescimento, é preciso criar um plano de negócios e de investimento para a Europa. Mais: é preciso que as pessoas possam participar nos projetos a partir de um sistema de crowdfunding (financiamento coletivo). Envolvendo-as e colocando-as no centro da inovação.

Mais: porque não criar um conselho internacional com empreendedores orientados para a Ciência? E dá o exemplo de Sherry Coutu, a empreendedora investidora britânica que já foi considerada pela revista Wired como uma das 25 pessoas mais influentes no mundo tecnológico.

“Ela é empreendedora, mas é muito focada na ciência. E este conselho também deveria incluir pessoas da China, Índia e dos EUA”, frisou.

O professor italiano de robótica, Paolo Dario, focou-se na importância de estimular a indústria da robótica na Europa e de, quem sabe, colocá-la ao nível da indústria automóvel. “A Europa domina a indústria de desenvolvimento de robôs”, afirmou, acrescentando que quanto mais a internet crescer, mais cresce o setor da robótica.

“Imaginem um novo cenário onde os robôs e humanos intergaem e cooperam na indústria. E agora uma sugestão mais provocadora: e se por causa desses robôs conseguíssemos reduzir o horário de trabalho e ter mais tempo livre?”, sugeriu.

Bleddyn Rees, da aliança European Connected Health destacou a necessidade de todos os setores da saúde estarem integrados e cooperarem. E Catherine Mulligan, do instituto de investigação Future Cities Catapult alargou esta necessidade a todas as indústrias, autoridades locais e aos cidadãos.

“Há 850 cidades na Europa que não têm uma agenda digital. Como podemos ajudar estas pessoas a entrar na revolução tecnológica? O cidadão muda a forma como fazemos pesquisas, inovação e como a capitalizamos”, disse, acrescentando que é preciso que todos sejam envolvidos.

Sabine Herlitschka, da subsidiária austríaca da empresa alemã Infineon Technologies afirmou que a a “Europa tem todas as ferramentas para estar na primeira linha da digitalização” tecnológica. Mas que para isso é preciso alcançar os mercados emergentes, envolver instituições e agir “depressa”, tendo em conta que as regras europeias, no que diz respeito à concorrência, ainda têm de ser limadas.

“Temos tantas estratégias fantásticas escritas em tantos artigos académicos tão bons, mas que só vivem se forem implementadas. Temos de fazer o que escrevemos. Olhem para o exemplo chinês e como tão facilmente implementam o que escrevem. E depressa. Porque a velocidade importa”, referiu Sabine.

O ICT 2015 é organizado pela Comissão Europeia em parceria com a Fundação para a Ciência e Tecnologia. A edição deste ano decorre entre 20 e 22 de outubro, no Centro de Congressos em Lisboa, e é a primeira vez que o evento sai da casa-mãe – o país que detém a presidência do Conselho Europeu nesse ano.